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Morte de PC Farias continua um mistério após novo julgamento do caso

Internacional|Do R7

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Rio de Janeiro, 10 mai (EFE).- O assassinato em 1996 do empresário Paulo César Farias, protagonista do escândalo de corrupção que obrigou o ex-presidente Fernando Collor de Mello a renunciar em 1992, continua sendo um mistério, após o término nesta sexta-feira de um novo julgamento, no qual foram absolvidos quatro de seus guarda-costas. Um júri popular constituído pelo Tribunal de Justiça de Maceió absolveu, após cinco dias de audiência, os quatro guarda-costas acusados por culpa na morte do empresário em junho de 1996. Segundo a sentença lida pelo juiz Maurício Breda, os sete integrantes do júri consideraram que os quatro acusados eram inocentes e determinaram que o responsável também não foi a namorada do empresário, a comerciante Suzana Marcolino, que supostamente se suicidou após ter baleado PC Farias e à qual foi-lhe atribuído o crime desde o começo. O júri, por quatro votos a favor e três contra, considerou inocentes os guarda-costas Adeildo Costa dos Santos, José Geraldo da Silva, Josemar Faustino dos Santos e Reinaldo Correia de Lima Filho. "Não sabemos se vamos apresentar um recurso porque os júris consideraram que houve um duplo homicídio e que os acusados, apesar de não serem responsáveis pelas mortes, podiam tê-la evitado", admitiu o promotor do caso, Marcus Rômulo. "Como não foi identificado o autor do crime, os jurados consideraram que os guarda-costas não podiam ser condenados e decidiram absolvê-los por clemência", acrescentou o promotor. A decisão do júri voltou a deixar no mistério um dos crimes que mais geraram polêmica no país porque, apesar da conclusão da Polícia que se tratou de um crime passional seguido de suicídio, várias versões indicam que o empresário foi assassinado para que não revelasse segredos políticos que conhecia. PC Farias era considerado um importante arquivo vivo sobre a corrupção durante o Governo de Collor (1990-1992) A justiça se absteve durante muitos anos de assumir o caso do polêmico "PC Farias" pois a Polícia, após uma rápida investigação que supostamente foi alvo de pressões políticas, concluiu que Suzana matou o empresário na cama que ambos compartilhavam em uma casa da cidade de Maceió e que depois se suicidou. Mas diferentes peritos demonstraram que, pela altura de Suzana e pela posição em que foram achados os corpos, era impossível que a mulher tivesse disparado contra PC Farias e que depois tivesse se suicidado. As muitas dúvidas que as primeiras investigações geraram sobre a morte do polêmico empresário levaram a Promotoria a iniciar em 2000 uma quarta investigação. Como algumas provas assinalavam a possibilidade da presença de uma terceira pessoa no quarto que o casal compartilhava, os promotores decidiram acusar inicialmente de duplo homicídio e de cumplicidade todas as pessoas que estavam na residência no dia 23 de junho de 1996, quando aconteceram os homicídios. Entre os acusados estão, além dos quatro guarda-costas do empresário e três empregados domésticos, um irmão da vítima, o então deputado federal Augusto Farias. A Promotoria, após novas investigações, retirou as acusações contra Augusto Farias e contra os empregados domésticos e apenas manteve como réus os quatro guarda-costas. PC Farias foi condenado em vários processos por corrupção, devido a que a Polícia e o Congresso comprovaram sua participação em uma rede que cobrava milionárias gorjetas a empresas construtoras de obras públicas para favorecê-las em licitações públicas. O escândalo obrigou Collor a renunciar a seu mandato em dezembro de 1992, poucas horas antes de o Congresso aprovar seu impeachment, apesar de, posteriormente e por falta de provas, o próprio Supremo Tribunal Federal ter considerado infundadas todas as acusações contra o ex-presidente. EFE cm/ma

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