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Mulher da Guatemala luta para libertar o sobrinho detido nos EUA

Catarina Miguel é tia de Yaiser, 14, que é um dos adolescentes que seguem separados dos pais pela política de imigração do governo Trump

Internacional|Carolina Vilela* do R7, com Reuters

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Catarina Miguel quer ser responsável pelo sobrinho
Catarina Miguel quer ser responsável pelo sobrinho

Catarina Miguel é uma tia que tenta fazer o certo pelo sobrinho Yaiser, um jovem de 14 anos da Guatemala que foi separado de sua mãe em um centro de detenção perto de El Paso, Texas, como resultado de uma política de tolerância zero em relação à imigração ilegal no dia 25 de julho.

No total, mais de 2.500 famílias foram separadas na fronteira dos EUA com o México na primavera. Parte destas crianças e adolescentes já voltaram para seus pais ou familiares. Mas Yaiser e algumas outras centenas ainda não.


Ele se reencontrou com sua mãe, Catalina Sales, por duas horas antes de serem separadas novamente porque ela não assinaria um documento concordando que, se fosse deportada, seu filho Yaiser a acompanharia de volta à Guatemala.

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Catalina disse por telefone para a agência de notícias Reuters que queria dar ao filho a chance de procurar asilo nos Estados Unidos, mesmo que ela seja mandada de volta.

Agora, sua cunhada Catarina Miguel está de prontidão para dar a Yaiser um lugar para morar e quer ser a responsável por ele.


"É difícil separar a mãe do filho. E o que está acontecendo não está certo. É por isso que eu digo que as pessoas acham que há liberdade aqui, mas é por isso que sinto que não são mais Estados 'Unidos'", disse Catarina.

"O plano que eu tenho para Yaiser é que eu estou pronta para ajudá-lo. Estou pronta para ajudar a levá-lo para a escola. Ele vai ser como uma criança para mim, e eu vou cuidar dele até que ele seja um adulto e lutar por ele para que um dia ele possa trabalhar neste país”.


'Menor desacompanhado'

Ao separá-los de seus pais, o governo classificou os filhos como "menores desacompanhados", o que conferiu certas vantagens a eles sob a lei de imigração dos EUA, incluindo um processo de asilo diferente, mais adequado para crianças, que não estava disponível para aquelas que foram mantidas junto com seus pais.

Além disso, uma rede de advogados especializados em imigração costuma concordar em representar gratuitamente menores desacompanhados. E se eles falharem em uma audiência inicial com um oficial de asilo, as crianças terão a oportunidade de apresentar suas reivindicações novamente perante um juiz de imigração.

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No geral, embora isso não tenha sido algo que Sales tivesse conhecimento quando tomou sua decisão, de acordo com uma análise, as crianças desacompanhadas do chamado Triângulo Norte de El Salvador, Guatemala e Honduras vencem seus casos de imigração mais de duas vezes mais do que outros desses paíse.

Nos últimos três anos, 40% das crianças desacompanhadas dos países foram autorizadas a permanecer nos Estados Unidos, em comparação com 19% para outros países.

Pais pedem asilo separado para os filhos

Não há rregistros de quantos pais optaram por buscar um processo de asilo separado para seus filhos, mesmo que isso significasse deixá-los pra trás, mas pelo menos seis outras famílias reunidas com Sales em El Paso, tomaram a mesma decisão que ela, de acordo com Taylor Levy, coordenador jurídico da Casa da Anunciação da cidade do Texas, que está trabalhando com os pais.

Tanto a ICE (Força de Imigração e Alfândega, na sigla em inglês) quanto o Departamento de Saúde e Serviços Humanos, que cuida das crianças sob custódia de imigração, se recusaram a comentar o caso.

Na quinta-feira (16), um juiz federal de San Diego disse que o formulário dado aos pais separados para assinar não constituiu uma renúncia legalmente válida dos pedidos de asilo de seus filhos e ordenou que suas deportações parassem temporariamente até que a questão fosse resolvida.

A prática "não foi criada para aconselhar os pais sobre os direitos de asilo de seus filhos, muito menos para renunciar a esses direitos", escreveu o juiz Dana Sabraw em sua ordem.

Reunião com filhos serve para enganar os pais imigrantes

O advogado de Yaiser, Jan Peter Weiss, visitou-o na instalação da Flórida no sábado.

"Ele está muito triste", disse Weiss. "Ele perguntou sobre sua mãe em todos os instantes. 'Minha mãe está bem? O que você acha que vai acontecer com ela?'"

Weiss acredita que as reunificações que levam diretamente à deportação de pais e filhos são enganosas.

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"Minha opinião é que eles mandaram o menino de 14 anos para o Texas, de volta para a mãe, por um motivo: para mandar os dois de volta. Dessa forma, o procurador-geral e o presidente podem dizer 'olhe estamos reunindo famílias'. E o público em geral, que realmente não tem consciência desse tipo de situação, pode dizer: "Ah, ele corrigiu o que todo mundo estava reclamando".

Depois de reunificado naquele dia em El Paso, pais e filhos foram levados em um ônibus e foi pedido que eles assinassem documentos concordando em ser deportados com seus filhos.

Aqueles que se recusaram a assinar, incluindo Catalina Sales, foram levados para fora do ônibus, de acordo com entrevistas com quatro detentos e um processo judicial, deixando seus filhos para trás.

'Começamos a chorar'

Em uma entrevista à Reuters da instalação da Flórida onde ele está hospedado, Yaiser disse que ele e as outras crianças que se separaram no ônibus naquele dia ficaram tristes quando seus pais foram levados novamente.

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"Começamos a chorar porque não podíamos nos despedir depois de apenas tê-los visto por um curto período", disse ele à Reuters fora da câmera.

Em uma audiência do Congresso em 31 de julho, o oficial da ICE, Matthew Albence, negou que as autoridades estejam coagindo as pessoas a concordarem com a deportação.

Albence disse ao Congresso que muitos pais querem que seus filhos permaneçam nos Estados Unidos.

"Muitos desses indivíduos não desejam que seus filhos voltem para casa com eles", disse ele. "A primeira razão pela qual a maioria deles veio para cá é levar seus filhos aos Estados Unidos e muitos gastaram suas economias para fazer isso", disse ele.

O governo disse que 154 pais decidiram não assinar a reunificação em 16 de agosto, de acordo com um processo judicial. O registro processual não inclui as razões dos pais.

*Estagiária do R7 sob supervisão de Cristina Charão

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