Cidade do México está afundando 24 cm por ano; problema foi visto do espaço
De acordo com os novos dados, algumas áreas estão afundando a uma velocidade superior a 2 centímetros por mês
Internacional|Do Estadão Conteúdo
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A Cidade do México está afundando a um ritmo alarmante de praticamente 2 centímetros por mês, segundo novos dados da Nasa, divulgados nesta semana. Os sinais mais visíveis do problema já podem ser notados em várias construções históricas na praça central da capital do México — um dos principais cartões-postais do país —, onde o Palácio Nacional está claramente fora do eixo.
O fenômeno do afundamento da cidade não é novo; já é conhecido há mais de um século. Agora, está sendo registrado em tempo real graças a um dos mais poderosos sistemas de radar já lançados ao espaço. Chado Nisar, o satélite, consegue detectar pequenas mudanças na superfície do planeta, mesmo em meio a vegetação densa ou céu coberto por nuvens.
“O Nisar levou a outro nível as observações da Terra”, afirmou o cientista Marin Govorcin, do Laboratório de Propulsão a Jato, da Nasa. “Ele consegue ver qualquer mudança, grande ou pequena, que acontece na Terra de uma semana para outra. Nenhuma outra missão imagética consegue fazer isso.”
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Embora não seja a primeira vez que o afundamento da Cidade do México tenha sido registrado do espaço, a missão Nisar oferece dados mais acurados do quanto está avançando e das diferenças de acordo com o tipo de terreno. O sistema também conseguiu “enxergar” áreas nos arredores da cidade que eram difíceis de estudar por causa da complexidade do terreno.
De acordo com os novos dados, algumas áreas da cidade, entre elas a do aeroporto, estão afundando a uma velocidade superior a 2 centímetros por mês — uma das mais altas já registradas em todo o mundo.
Entre os principais exemplos desse rápido afundamento está uma estátua na Avenida Paseo de la Reforma, uma das principais da cidade. Inaugurado em 1910 para comemorar os 100 anos da Independência do México, o monumento de 36 metros já teve 14 degraus acrescentados à sua base conforme foi gradualmente afundando.
Mas o fenômeno pode ser visto por toda a metrópole de 22 milhões de habitantes, no asfalto deformado das ruas e estradas, em prédios inclinados e em danos recorrentes no sistema do Metrô local.
“O problema afeta toda a infraestrutura urbana da cidade: as ruas, as tubulações para distribuição de água e as próprias reservas de água”, afirmou em entrevista ao jornal britânico The Guardian o engenheiro Efraín Ovando Shelley, da Universidade Nacional do México.
Por que a cidade está afundando?
O afundamento da cidade é fruto da exploração desordenada de água do subsolo. A Cidade do México e seus arredores foram construídos sobre o antigo leito de um rio e, por isso, o solo é pouco sólido. Quando a água é bombeada do aquífero abaixo, o solo forma uma espécie de barro, levando a cidade ao afundamento.
O aquífero subterrâneo ainda contribui para cerca de metade do suprimento de água da capital. Conforme o bombeamento de água foi aumentando, num ritmo mais elevado do que as chuvas seriam capazes de repor, o aquífero está encolhendo.
De acordo com o engenheiro Efraín Ovando Shelley, isso cria uma espécie de ciclo vicioso: conforme a cidade afunda, as antigas tubulações de água acabam rachando. Estima-se que cerca de 40% da água bombeada é perdida por conta dos vazamentos. Somando-se a isso o aquecimento global, que reduziu o regime de chuvas, a cidade caminha a passos largos para um desastre.
“Para deter o afundamento, precisaríamos suspender a extração de água”, explicou Shelley. “Mas se pararmos a extração de água, que água vamos beber? A piada recorrente é que, se não pudermos beber água, bem, vamos tomar tequila.”
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