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Nobel de Literatura Orhan Pamuk acusa governo turco de opressão

Internacional|Do R7

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Ancara, 5 jun (EFE).- O escritor da Turquia Orhan Pamuk, Nobel de Literatura em 2006, acusou nesta quarta-feira o governo de seu país de ser "opressor e autoritário" e garantiu que os manifestantes que há dias protestam nas ruas lhe deram "esperança no futuro". Pamuk, que foi criticado em alguns círculos por não ter se manifestado sobre a onda de protestos contra o primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan, tomou partido em artigo publicado hoje no jornal "Hürriyet". Em seu texto, o autor de "Neve" lembrou uma história pessoal de como sua família defendeu uma castanheira que a Prefeitura de Istambul queria cortar, em referência à defesa do pequeno parque Gezi, no centro da cidade, que detonou a atual onda de protestos. Assim, o escritor garantiu que a Praça Taksim é "a castanheira de toda Istambul", em referência ao emblemático cenário onde começaram os protestos, que se estendem por seis dias em todo o país, já causaram três mortes e mais de 4 mil feridos nas manifestações e choques com a polícia. Pamuk afirmou que a determinação das pessoas em defender seus direitos lhe deu "confiança e esperança no futuro". A Plataforma Solidariedade Taksim, o grupo que iniciou os protestos para defender o parque Gezi dos planos de construção de um shopping center, se reuniu hoje com o vice-primeiro-ministro, Bulent Arinç, para fazer suas reivindicações. Após a reunião, membros da plataforma declararam que seu protesto inicialmente pacífico resultou em confrontos devido à violência policial e aos duros comentários de Erdogan contra os manifestantes. Erdogan chegou a definir os participantes dos protestos como "criminosos" e advertiu que poderia pôr nas ruas milhões de seus seguidores para enfrentarem os manifestantes. A plataforma insistiu hoje que se respeite o parque e se cancele o projeto de reurbanização, além da manutenção de um centro cultural existente na área, cuja demolição estava prevista. Também reivindicou a punição e demissão dos responsáveis pelos atos de violência policial, a proibição do uso de bombas de gás lacrimogêneo, que as pessoas presas durante os protestos sejam libertadas sem acusações e que não se restrinja a liberdade de expressão. O Colégio de Médicos da Turquia confirmou hoje que três pessoas morreram durante os protestos e que há três feridos em estado crítico. Os médicos turcos contabilizaram nos seis dias de protestos um total de 4.177 feridos, dos quais dez perderam um olho e 15 sofreram traumatismo craniano. Já o governo divulgou que o número de feridos chega a 300, a maioria policiais. EFE dt-as/rpr

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