Nova manifestação reúne milhares de pessoas nas ruas da Argélia
Protestos que acontecem desde fevereiro pedem a saída de figuras do antigo regime de Bouteflika e a libertação de centenas de presos políticos
Internacional|Da EFE
Faltando menos de seis semanas para as eleições presidenciais da Argélia, centenas de milhares de manifestantes protestaram, nesta sexta-feira (1), na capital do país contra o pleito que consideram como uma continuação do antigo regime do ditador Abdelaziz Bouteflika.
Convocada pelo "Hirak", o movimento de protesto que surgiu em fevereiro depois de Bouteflika, agora afastado do poder, ter anunciado que se candidataria a um quinto mandato consecutivo no país, a 37ª sexta-feira consecutiva de manifestações coincide com o 65º aniversário do começo da guerra de independência da Argélia.
Milhares de argelinos ocuparam desde o início do dia a praça do Grande Poste, no centro de Argel, capital do país, que se tornou o epicentro dos protestos. Na véspera da Festa da Revolução, que ocorre amanhã, os manifestantes gritavam que a Argélia "recuperará sua independência".
Um forte esquema de segurança foi montado pelo governo local para acompanhar o protesto. Agentes verificavam identidades dos manifestantes e inspecionavam mochilas, como a agência EFE pôde comprovar no local.
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Para driblar os pontos de fiscalização que impedem o acesso à capital todas as sextas-feiras desde o início dos protestos, argelinos de diferentes partes do país chegaram a Argel nos últimos dias para participar do movimento. Muitos deles se hospedam em hotéis ou ficam nas casas de familiares ou amigos.
As convocações para esta manifestação considerada histórica se multiplicaram nas redes sociais nos últimos dias. Os protestos pedem a saída de figuras do antigo regime de Bouteflika e a libertação de centenas de presos políticos.
Nos últimos dias, tanto o presidente interino da Argélia, Abdelkader Bensalah, como o comandante do Exército, Ahmed Gaid Salah, pediram aos cidadãos para votar em massa nas eleições, avaliadas por eles como "cruciais" para tirar o país da recente crise.
Até o momento, o número de postulantes à presidência chega a 22. Entre os candidatos estão dois ex-primeiros-ministros de Bouteflika: Ali Benfils, 75, principal adversário do ex-presidente em 2004 e 2014, e Abdelmadjid Tebboune, 72, que só ocupou o cargo por três meses.
A Argélia é palco de grandes manifestações desde o último dia 22 de fevereiro, quando um grupo de jovens desafiou as forças de segurança e tomou as ruas do país para se opor à reeleição de Bouteflika, gravemente doente desde 2013.
Forçado a renunciar pelos protestos e pela pressão do Exército, Bouteflika foi substituído por Bensalah, então presidente do Senado, que assumiu o comando do país com a missão de convocar novas eleições em um prazo de 90 dias.









