Novo Governo chinês conta com grande reformista, mulher e muitos tecnocratas
Liderança será do presidente Xi Jinping e o primeiro-ministro Li Keqiang
Internacional|Do R7
O novo Governo chinês, que será liderado pelo presidente Xi Jinping e o primeiro-ministro Li Keqiang, contará, como foi anunciado neste sábado (16), com um destacado reformista e uma mulher, em uma renovação caracterizada pela decisão de conceder a maioria dos postos a tecnocratas.
Em uma votação de ofício, a Assembleia Nacional Popular (ANP, o Legislativo chinês) rubricou as propostas que haviam sido apresentadas por Li Keqiang. A mensagem que não haverá grandes mudanças na economia, em um momento de recuperação após o esfriamento de 2012, foi transmitida com a nomeação de Lou Jiwei, até agora à frente do fundo soberano de investimentos, como responsável de Finanças, e a manutenção de Zhou Xiaochuan à frente do Banco Central da China.
A essas designações soma-se a de Gao Hucheng, até agora enviado comercial chinês, como ministro do Comércio. Como titular de Relações Exteriores foi nomeado Wang Yi, um diplomata com conhecimento de primeira mão de algumas das principais "batatas quentes" na política externa chinesa: as relações com o Japão, mais tensas que nunca nos últimos tempos, os vínculos com Taiwan e os laços com a Coreia do Norte.
Wang foi embaixador no Japão em duas ocasiões, participou das negociações nucleares com Pyongyang e até agora estava à frente do escritório de relações com Taiwan. À frente do Ministério de Defesa, pasta cujo orçamento não deixou de aumentar em porcentagens de dois dígitos nos últimos anos, ficou Chang Wanquan. Até agora, ele era responsável pelo ambicioso programa espacial chinês.
Por sua vez, Guo Shenkun será o chefe do todo-poderoso Ministério da Segurança Pública. Embora contem com experiência em seus respectivos setores e são considerados gerentes capazes, todos eles têm reduzidas as chances de deixarem uma forte marca em suas pastas. Em um país onde o verdadeiro poder não é exercido pelos ministros, mas por outros organismos, o papel dos ministros é muito mais atuar como relações públicas que tomar decisões importantes.
A política de Defesa, por exemplo, fica a cargo da Comissão Militar Central, e a Exterior, é definida nas altas esferas do Partido. A Assembleia rubricou neste sábado também a nomeação dos quatro vice-primeiros-ministros que auxiliarão Li Keqiang, o chefe de Governo nomeado na sexta-feira (15), em sua tarefa de gestão da segunda economia do mundo.
O vice-primeiro-ministro é Zhang Gaoli, um dos sete integrantes do Comitê Permanente do PCCh, o verdadeiro órgão de poder no país. Junto a ele, foram nomeados os ex-conselheiros de Estado Liu Yandong, que a partir de agora é a mulher com um cargo mais alto dentro do Governo chinês, e Ma Kai. Já o reformista Wang Yang, de 58 anos e ex-governador da província do Cantão, onde impulsionou reformas políticas e sociais, passa a ocupar o terceiro posto da hierarquia, atrás de Zhang Gaoli e Liu Yandong, mas à frente de Ma Kai, como já era previsto.
Wang acabou não entrando para o Comitê Permanente (o principal órgão de poder do país, de sete membros) no 18º Congresso do Partido Comunista (PCCh), em novembro, mas sua juventude praticamente lhe garante uma promoção no conclave que acontecerá daqui a cinco anos, quando irão se aposentar Zhang e Liu.
A entrada de Wang Yang na cúpula do poder chinês confere ao novo Governo um perfil mais reformista, depois que na quinta-feira (14) fosse denominado vice-presidente outro político de talante similar, Li Yuanchao, que demonstrou grande preocupação com os problemas ambientais. O sexto dia de trabalho do Legislativo chinês também teve a nomeação de Yang Jing, Chang Wangquan, Yang Jiechi, Guo Shengkun e Wang Yong como os novos cinco conselheiros de Estado.
A ANP terminará neste domingo (17) com a primeira entrevista coletiva de Li Keqiang como primeiro-ministro, após um evento de encerramento para o qual é esperado um discurso do recém nomeado presidente Xi Jinping.












