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Novo governo do Marrocos tem mais mulheres e menos força de islamitas

Internacional|Do R7

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Javier Otazu. Rabat, 10 out (EFE).- O novo governo do Marrocos, nomeado nesta quinta-feira pelo rei Muhammad VI, conta com mais mulheres (passou de uma para seis) e com perda da força Partido Justiça e Desenvolvimento (islamita), embora a maioria dos cargos ministeriais tenham sido mantidos. Dar ao Reagrupamento Nacional de Independentes (RNI) lugar no governo em vez de conferir espaço ao partido Istiqlal não foi fácil, e as semanas de negociações resultaram no aumento de pastas. O governo anterior já conhecido pelo grande número de ministérios, que agora passaram de 31 para 39. "Há um perdedor claro, que é o PJD, que perdeu a gestão da economia e da diplomacia, além de também não controlar a segurança (o Ministério do Interior, que vai para um tecnocrata). Ele ficou limitado à gestão dos assuntos locais", explicou o analista político e economista Larbi Bentoman. "A mensagem está clara para o PJD: não conta com experiência econômica nem com quadros preparados", afirmou Benotman. Já o RNI ficou com oito ministérios, incluindo os de gestão econômica, e a prometida presidência da Câmara dos Representantes. O outro perdedor, segundo o analista, é o Partido Istiqlal, e mais concretamente seu secretário-geral Hamid Chabat, que em maio deste ano provocou a primeira crise do governo islamita ao ordenar a renúncia de todos os seus ministros (seis) do governo de Benkiran. A estratégia de Chabat consiste, desde então, em uma escalada verbal, na imprensa e nas ruas, contra seus antigos parceiros de governo, mas seu poder de convocação ficou suspenso ao reunir centenas de pessoas para o que garantiu que seria uma grande manifestação contra Benkiran. Conceder uma pasta diferente a Mohammed Wafa, o único ministro do Istiqlal que se atreveu a desafiar Chabat ao se negar a apresentar sua renúncia com o argumento de que os ministros são escolhidos pelo rei e não por um chefe político, mostrou que as desavenças com o líder do partido são mantidas. A experiência empreendida pelo Marrocos com este governo moderadamente islamita em plena primavera árabe ficou limitada, e a equipe de Benkiran, nestes dois anos de percurso, quase não trouxe mudanças decisivas. Ele foi responsável pela medida mais impopular dos últimos anos, o aumento, em duas ocasiões, do preço dos combustíveis (diesel e gasolina), que mesmo assim não resultou em uma explosão social nem na diminuição aparente da popularidade de Benkiran. Seu partido, o PJD, ganhou inclusive algumas cadeiras em eleições parciais realizadas nos últimos meses, enquanto Benkiran continua a ser o político mais carismático do país. A coalizão governamental contará agora com o apoio do PJD, RNI, Movimento Popular (berberistas de direita) e Partido do Progresso e do Socialismo; que garantem uma cômoda maioria parlamentar. Quanto às mulheres que entram no governo, seis no total, só duas ocuparão ministérios: Fatema Marwana, responsável pela pasta de Artesanato e Economia Solidária, e Bassima Hakaoui, de Solidariedade, Família, Mulher e Desenvolvimento Social. As outras quatro serão "ministras delegadas" para outros ministros homens, o que Benotman para representa uma "mera operação estatística" para poder dizer que mulheres participam do governo até ser preciso criar ministérios "ad hoc" para elas. EFE fjo/apc/id (vídeo)

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