Novos líderes encerram transição com promessa de governo mais eficiente
Internacional|Do R7
Macarena Vidal. Pequim, 17 mar (EFE).- Os novos líderes chineses deram por encerrado neste domingo o processo de transição do regime com a promessa de um governo mais eficiente e reduzido, que terá como prioridades elevar o nível de vida dos cidadãos e manter o crescimento econômico. Na cerimônia de encerramento da Assembleia Nacional Popular (ANP, Legislativo chinês), que nomeou nesta semana como presidente do país Xi Jinping e Li Keqiang como primeiro-ministro, o novo chefe de Estado se comprometeu a "combater a corrupção" como um dos meios para atingir o que definiu como "o sonho chinês". "Devemos rejeitar com firmeza o hedonismo e a extravagância, e lutar contra a corrupção e outras condutas deste tipo", disse Xi diante dos quase 3 mil deputados que nas últimas duas semanas se reuniram no Grande Salão do Povo em Pequim. Em entrevista coletiva, a primeira de seu governo, o novo primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, insistiu nessa linha, para prometer um Executivo mais eficiente, mais econômico, com menos funcionários e que terá como prioridade fomentar a igualdade social. Conforme sua explicação, neste ano o aumento das receitas fiscais do governo chinês foi de apenas 1,6% e no futuro vão continuar nessa linha. Dado que "o investimento nos cidadãos é obrigatório", para se adaptar a este crescimento menor das receitas, o governo deverá reduzir suas despesas operacionais. Assim, acrescentou, será reduzido o número de funcionários e também haverá cortes em viagens oficiais e despesas de representação. "O governo central abrirá o caminho e as autoridades locais deverão imitá-lo", ressaltou Li. Os novos líderes chegaram ao poder em um momento de incerteza na China sobre os rumos da economia - que só agora começa a se recuperar após a desaceleração do último ano -, com os crescentes problemas ambientais e o drástico aumento da desigualdade social. Mas também diante da disposição cada vez maior da população em expressar seu descontentamento por problemas como a corrupção, em protestos populares e através das redes sociais. Consciente disso, Li prometeu em sua entrevista coletiva que o novo governo vai estabelecer como prioridades principais a modernização e a "manutenção do crescimento econômico sustentável", um objetivo que estipulou em 7,5% anuais até 2020. "Não resta outro caminho a não ser o das reformas", ressaltou. Além disso, buscará melhorar as condições de vida da população e aumentar a renda da população rural e urbana, especialmente os mais pobres. "É preciso garantir que todo o mundo tenha acesso à riqueza", disse, e especificou que vai trabalhar para cobrir as necessidades básicas dos cidadãos, como educação e saúde. O crescimento econômico, no entanto, não será promovido em detrimento do meio ambiente - como ocorreu nos anos de forte desenvolvimento -, insistiu. "Não devemos buscar o crescimento econômico em detrimento do meio ambiente". O governo vai fazer "um esforço vigoroso para combater a poluição", assegurou o primeiro-ministro. "Sei que todo o mundo está muito preocupado com isso. Estabeleceremos objetivos e datas", e garantiu que as "medidas se tornarão públicas para que a população e os meios de comunicação possam supervisioná-las". Sobre a crescente urbanização do país, Li alertou que deve ser feita de forma "prudente", mas reconheceu que se trata de "uma tendência inevitável". "A urbanização é um projeto grande e complexo que acarreta em profundas mudanças sociais e econômicas. Necessita do suporte de reformas integradas em várias áreas", disse Li aos jornalistas. Quanto à política externa, afirmou que, "apesar de a China ser mais forte, não tentará se impor sobre os outros", mas ressaltou a "determinação chinesa em defender nosso território", sobre a disputa com o Japão em torno da soberania das ilhas Diaoyu/Senkaku. Sobre as acusações dos Estados Unidos de que China está por trás de ataques cibernéticos às suas instituições e empresas, Li disse que seu país "não apoia este tipo de ataque", e qualificou as denúncias como "infundadas". EFE mv/rpr









