O que se sabe sobre o raro teste de míssil da China, que pegou países de surpresa
Episódio ocorre em meio ao fortalecimento militar promovido pelo presidente Xi Jinping
Internacional|Do R7
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O lançamento de um míssil balístico de longo alcance pela Marinha da China a partir de um submarino de propulsão nuclear voltou a elevar a tensão na região do Indo-Pacífico. Realizado na segunda-feira (6), o teste gerou críticas de países como Austrália, Nova Zelândia e Japão, além dos Estados Unidos, que demonstraram preocupação com a falta de transparência de Pequim e com o avanço de sua capacidade militar.
Segundo a Associated Press, o governo chinês informou que o lançamento fez parte de um treinamento anual de rotina e afirmou que a atividade seguiu o direito internacional, sem ter como alvo qualquer país específico. O míssil, disparado em direção ao Oceano Pacífico, carregava uma ogiva simulada, e não uma carga nuclear.
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As autoridades chinesas não revelaram qual modelo foi utilizado. No entanto, especialistas ouvidos pela Associated Press acreditam que o armamento seja um míssil balístico lançado por submarino dos modelos JL-2 ou JL-3. O jornal estatal chinês Global Times afirmou que é mais provável que se trate do JL-3, que possui alcance superior a 10 mil quilômetros.
Embora o lançamento de mísseis em águas internacionais não seja inédito, analistas destacam que esse tipo de teste é raro e representa mais um passo na modernização das forças nucleares chinesas. O episódio foi apenas a segunda vez, nos últimos anos, que Pequim realizou um lançamento desse tipo em águas internacionais.
Um dos principais pontos de controvérsia foi a comunicação prévia aos países da região. A China afirmou ter avisado algumas nações, mas governos do Pacífico disseram que a notificação foi insuficiente. O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, classificou o teste como “provocativo” e afirmou que a falta de antecedência aumentou a preocupação regional.
A Nova Zelândia também criticou a ação. Segundo o governo neozelandês, o míssil foi lançado em uma área coberta pelo Tratado de Rarotonga, que criou a Zona Livre de Armas Nucleares do Pacífico Sul. Embora o projétil não transportasse uma ogiva nuclear, Wellington afirmou que o lançamento contrariou o espírito do acordo, do qual a própria China é signatária desde o fim da década de 1980.
Nas Ilhas Salomão, o primeiro-ministro Matthew Wale também demonstrou insatisfação. Ele afirmou que o país mantém boas relações com a China, mas disse que testes desse tipo não contribuem para a segurança regional e defendeu que nenhuma potência realize lançamentos de mísseis balísticos no Pacífico.
Especialistas afirmam que a reação internacional está ligada não apenas ao teste em si, mas também à falta de transparência sobre o programa militar chinês. Drew Thompson, pesquisador da Escola de Estudos Internacionais S. Rajaratnam, em Singapura, disse à Associated Press que a rápida modernização das Forças Armadas chinesas ocorreu sem um aumento proporcional na divulgação de informações, o que gera incertezas sobre as intenções de Pequim.
O episódio ocorre em meio ao fortalecimento militar promovido pelo presidente Xi Jinping. Nos últimos anos, a China ampliou seu arsenal nuclear, desenvolveu novos mísseis de longo alcance, investiu em drones e expandiu sua marinha, considerada atualmente a maior do mundo em número de embarcações.
Ao mesmo tempo, a crescente pressão militar sobre Taiwan e as disputas no Indo-Pacífico têm levado países vizinhos, como Japão e Filipinas, a ampliar investimentos em defesa e estreitar a cooperação militar com os Estados Unidos, segundo a Associated Press.
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