Por que uma artista russa foi condenada à prisão por não colocar um aviso em suas redes
Cantora pop foi classificada como ‘agente estrangeira’, o que, na prática, significa que a Rússia a considera inimiga do Estado
Internacional|Do R7
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Uma cantora foi condenada a um ano de prisão por violar a lei russa sobre “agentes estrangeiros”. Entre os crimes que Monetochka teria cometido está a não obediência em colocar um longo aviso em todas as suas aparições e declarações públicas, incluindo publicações em redes sociais.
Yelizaveta Gyrdymova, mais conhecida pelo nome artístico Monetochka, deixou a Rússia pouco depois da invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022. No ano seguinte, a Justiça da Rússia classificou Monetochka como “agente estrangeira”, depois que ela se manifestou contra a guerra e arrecadou fundos para apoiar civis ucranianos.
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Em 2024, as autoridades policiais apresentaram queixa-crime contra a cantora e a incluíram na lista de procuradas, depois de já a terem multado duas vezes por não incluir um aviso de “agente estrangeiro” nas suas publicações online. No começo deste mês, um juiz de Moscou condenou a cantora exilada, que atualmente vive na Lituânia, a um ano de prisão.
Na prática, a designação de “agente estrangeiro” significa que a Rússia considera a pessoa um inimigo do Estado. Essa lei foi criada em 2012, quando era aplicada a organizações não governamentais que recebiam fundos do exterior. Em dezembro de 2019, o presidente russo, Vladimir Putin, assinou uma nova legislação, ampliando a definição legal de quem pode ser considerado um agente estrangeiro.
Agora, ela inclui qualquer indivíduo ou grupo privado que receba financiamento do exterior — independentemente de ser dinheiro de governos, organizações ou cidadãos de fora do país — e publique material impresso, em áudio, audiovisual, entre outros.
Quem é considerado um “agente estrangeiro” deve indicar o fato em qualquer conteúdo que publicar, mesmo nas redes sociais. Além disso, fica obrigado a apresentar declarações financeiras e relatórios sobre suas atividades.
Integrantes do grupo Pussy Riot já foram listadas como “agentes estrangeiras”, além da entidade de direitos humanos Memorial International, uma das mais antigas da Rússia, e do jornalista Viktor Shenderovich, conhecido por um programa de sátira política com marionetes que foi ao ar nos anos 1990, segundo informações da rede internacional alemã Deutsche Welle (DW), que também foi enquadrada pela lei russa.
A lista já inclui centenas de artistas, jornalistas, empresários, bem como veículos de mídia e órgãos da imprensa, afirma o jornal The Moscow Times.
Monetochka, segundo reportagem do New York Times, “é apenas uma das muitas estrelas da música russa que estão reconstruindo suas carreiras fora de sua terra natal após assumirem uma posição moral contra a invasão da Ucrânia”.
A artista era uma das estrelas pop mais comentadas da Rússia quando a guerra começou e decidiu viver no exílio, afirma o jornal.
Atualmente, a cantora pop conta com três álbuns, sendo o mais recente produzido já no exílio, em 2024. Em suas redes sociais, há informações sobre sua turnê internacional, que deverá contar com um show em Belgrado, na Sérvia, em setembro. Tanto em seu perfil no Instagram quanto no site oficial da turnê não há qualquer menção a “agente estrangeiro”.
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