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ONU e França querem punição para linchamento na República Centro-Africana

Homem foi linchado por soldados do Exército durante cerimônia militar 

Internacional|Do R7

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Soldados centro-africanos lincham civil considerado ex-rebelde
Soldados centro-africanos lincham civil considerado ex-rebelde

As Nações Unidas e a França pediram nesta quinta-feira (6) às autoridades da República Centro-africana uma punição exemplar para o linchamento público de um homem pelas mãos de soldados centro-africanos ocorrido na véspera, durante uma cerimônia militar.

"Os incidentes ocorridos são reveladores e inadmissíveis e devem ser alvo de uma investigação e de sanções exemplares", declarou o general Babacar Gaye, representante especial das Nações Unidas na República Centro-africana.


— É preciso uma grande mudança para evitar a violência cega, a violência inútil que assistimos e que se traduz por um rompimento do tecido social, com uma perda de referências sem precedentes neste país.

Paris também condenou os atos e pediu punições exemplares para os autores, apoiando a decisão da nova presidente centro-africana, Catherine Samba Panza, de ordenar uma investigação para que os autores sejam identificados e respondam por seus atos na justiça, afirmou o porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Romain Nadal.


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Para a Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH), a formação de um grupo de investigação e de instrução desses crimes deve ser uma prioridade para o novo governo para que assim se trace uma linha vermelha e que os crimes não fiquem impunes.

Diante de dezenas de testemunhas, soldados centro-africanos lincharam até a morte na quarta-feira (5) um homem acusado de ser ex-rebelde, ao final de uma cerimônia solene em Bangui, na qual a presidente Catherine comemorou a reforma das forças armadas nacionais.


O assassinato do homem se deu por meio de chutes, pedradas e facadas e aconteceu nas dependências da Escola Nacional de Magistratura, onde ocorreu a cerimônia que contou com a presença das autoridades do governo de transição e das Forças Armadas, do general Francisco Soriano, comandante da missão militar francesa Sangaris, e do general Atanase Kararuza, comandante-adjunto da Missão da União Africana na República Centro-Africana (Misca). Cerca de 4.000 soldados centro-africanos estavam presentes no evento.

Foi a primeira vez que as Forças Armadas Centro-Africanas (FACA) estiveram reunidas desde a chegada ao poder, em março de 2013, do grupo rebelde Seleka, de maioria muçulmana, cujos membros estão atualmente foragidos após a saída de Michel Djotodia da presidência da república em 10 de janeiro.

Pouco depois da partida da presidente Catherine e demais autoridades, alguns membros da FACA agarraram um jovem homem à paisana, acusando-o de ser um ex-rebelde. Ele foi espancado, esfaqueado, despido de suas roupas e arrastado pelas ruas já morto. 

O linchamento, que foi reforçado por uma multidão de pessoas enfurecidas, ocorreu ante o olhar dos soldados da Força Africana (MISCA) encarregados da segurança da cerimônia de alto teor simbólico, e de muitos jornalistas. Segundo testemunhas, o corpo da vítima foi mutilado e queimado e só então a MISCA resolveu intervir, dando disparos para o ar a fim de dispersar a multidão, até a chegada de soldados franceses.

Uma porta-voz da missão Sangaris, enviada para o país há dois meses, explicou que as forças francesas não estavam encarregadas da segurança da cerimônia, e que os únicos soldados franceses que estavam no local faziam parte da equipe do general Francisco Soriano, que já havia deixado o local quando os episódios violentos começaram.

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