ONU não vê risco de aumento de casos de câncer em Fukushima
Internacional|Do R7
Antonio Sánchez Solís. Viena, 31 mai (EFE).- A ONU não espera um aumento de casos de câncer pelo acidente da central atômica de Fukushima em 2011, embora reconheça que o medo da radiação significa para a população uma forte carga psicológica, que pode ocasionar doenças. Essa é uma das conclusões de um relatório elaborado pelo Comitê Científico das Nações Unidas sobre os Efeitos da Radiação Atômica (Unscear) divulgado nesta sexta-feira em Viena. Segundo Wolfgang Weiss, coordenador da equipe de autores do estudo, a evacuação em massa após o acidente fez com que os níveis de radiação recebidos pela população fossem dez vezes menores do que se a população tivesse ficado na zona mais afetada pelo vazamento radioativo. "Reduziram-se as doses a níveis que são tão baixos que não esperamos ver nenhum aumento de câncer no futuro", disse o físico alemão em um encontro com jornalistas. Weiss explicou que no relatório foram levados em conta duas substâncias contaminantes, o iodo, de curta duração, e o césio, ativo por mais tempo. Em ambos os casos, de acordo com o relatório, não há motivo para preocupação, com a informação disponível atualmente, com o aumento de casos de tumores. Especialmente em relação ao iodo, substância especialmente perigosa para as crianças e que pode causar câncer de tireoide. As doses da substância detectadas no entorno de Fukushima foram muito menores do que após a catástrofe nuclear de Chernobyl, em 1986. Segundo Weiss, o relatório atualiza os dados e a metodologia do estudo apresentado em fevereiro passado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que advertia para uma possibilidade de aumento no risco de casos de câncer. O físico alemão explicou que quando a OMS fez seu relatório "não tinha uma visão completa" da situação e que o novo estudo conta com mais dados que indicam que as doses de radiação foram menores. Apesar dos aspectos positivos das conclusões do novo relatório, Weiss advertiu que a percepção por parte da população afetada no Japão é mais pessimista. "Nossos argumentos se baseiam na ciência. Os argumentos da população afetada não se baseiam na ciência mas no suposto efeito desses níveis de radiação, e isto causa estresse e todo tipo de problemas psicológicos no país", analisou. Weiss destacou além disso que os estudos e controles de saúde após o acidente de Fukushima não acabam com este relatório e seguirão durante vários anos. Ao todo, 80 especialistas de 18 países elaboraram o estudo da Unscear, cuja versão final será apresentada em outubro no Japão. O relatório conta com o apoio de outros organismos da ONU, como OMS, Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). EFE as/dk











