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ONU pede a Bangladesh uma mudança de lugar "digna" para os rohingyas

Cerca de 33 mil rohingyas registrados em Bangladesh com status de refugiado serão realocados

Internacional|Do R7

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Muçulmanos rohingyas não são reconhecidos como cidadãos em Myanmar
Muçulmanos rohingyas não são reconhecidos como cidadãos em Myanmar

O escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) pediu nesta segunda-feira (1) ao governo de Bangladesh que realize de "maneira digna" a mudança de refugiados da minoria muçulmana rohingya a uma ilha do sul do país.

"O êxito (da medida) dependerá da percepção que os refugiados terão de suas condições de vida na nova localização", disse à Agência Efe uma porta-voz do Acnur em Bangladesh, Onchita Shadman. "O Acnur espera que, se ocorrer uma mudança, que seja de maneira digna", ressaltou.


Rohingyas: o povo muçulmano que o mundo esqueceu

No meio da crise regional de imigração no Sudeste Asiático, o chefe da célula governamental de refugiados, Amit Kumar Baul, declarou na semana passada que os cerca de 33 mil rohingyas registrados em Bangladesh com status de refugiado serão realocados na ilha de Hatiya.


As autoridades pretendem assim livrar o distrito sudeste de Cox's Bazar, principal destino turístico nacional e onde residem não só os refugiados registrados, mas a maioria dos mais de 200 mil rohingyas que a ONU estima que haja em Bangladesh.

O governo situa o número de rohingyas procedentes de Mianmar em seu território entre 300 mil e meio milhão.


Representantes de agências humanitárias consultados pela Efe criticaram a mudança de localização, alegando que a ilha é vulnerável a ciclones e o entorno é alheio à lingua e cultura dos rohingyas, muitos dos quais conservam vínculos ativos com parentes do outro lado da fronteira.

Rohingyas, da segregação em Mianmar às redes de tráfico de pessoas


No ano passado, Daca apresentou uma estratégia, supervisionada pela Organização Internacional de Migrações (OIM), para iniciar um censo dos rohingyas imigrantes ilegais.

Por enquanto, se desconhece se as autoridades contemplam a possibilidade de conceder status de refugiado aos membros deste coletivo ou tentar uma repatriação dos mesmos a Mianmar, onde eles têm a cidadania negada.

"O Acnur advoga para que seja emitida algum tipo de documentação aos rohingyas não registrados e que após esse censos obtenham permissão temporária de permanência", ressaltou Shadman.

Os rohingyas que carecem de status de refugiado em Bangladesh têm muitas limitações para chegar ao mercado de trabalho, para ter um tipo de educação, refúgio e muitos outros serviços básicos.

Embora atualamente haja uma proporção similar de rohingyas e bengalis entre os imigrantes ilegais que partem por mar para o Sudeste Asiático através de redes de tráfico de pessoas, quando se iniciou esta rota há uma década a maior parte eram membros da minoria muçulmana. 

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