Oposição reafirma disposição ao diálogo, mas questiona compromisso de Maduro
Internacional|Do R7
Caracas, 28 fev (EFE).- A aliança opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) ratificou nesta sexta-feira sua disposição a dialogar para sair da situação que o país enfrenta, mas questionou a credibilidade e o compromisso do Governo de Nicolás Maduro com esse propósito, expressado na Conferência Nacional de Paz lançada nesta semana. "Insistimos que o diálogo começa pelo respeito. A Mesa da Unidade está disposta a dialogar, mas com seriedade, firmeza e respeito que promovam o mínimo indispensável de confiança", indicou o bloco que aglutina a maioria de adversários ao Governo de Maduro em comunicado divulgado nesta sexta-feira. "Ratificamos nossa disposição ao diálogo e propomos que sejam estabelecidas bases reais para fazê-lo, com uma agenda precisa, metodologia previamente definida e participação de terceiros de boa fé, sejam nacionais ou internacionais", acrescentou. Maduro lançou na quarta-feira a Conferência de Paz perante um nutrido grupo de representantes de todos os setores, incluída a patronal venezuelana, mas com a ausência dos líderes da oposição, enquanto no país continuam os protestos. Os participantes foram tomando a palavra durante várias horas para transferir ao Governo sua opinião sobre o que está ocorrendo e as formas para resolver os problemas. Para a MUD, o ocorrido nessa reunião "confirma que o Governo se apresenta como promotor do diálogo sem se comprometer com nada". "Apesar de seu objetivo propagandístico, a 'conferência' não pôde evitar que ficassem em evidência os problemas econômicos que o Governo resiste a admitir e a grave questão da desconfiança", indicou. Para a MUD, Maduro não deu "um sinal de confiança, para fazer crível que aquela era uma reunião de trabalho e não um entretenimento bem montado". Por outro lado, diz a aliança, continuou a repressão contra manifestantes em Cumaná (oriente), que deixou vários feridos e detidos. Além disso, a oposição destaca a ordem de captura contra Carlos Vecchio, coordenador do partido Vontade Popular, "quando já se sabe que os responsáveis das mortes" de 12 de fevereiro estão detidos e que são agentes da Inteligência Bolivariana (Sebin). No último dia 19, a MUD confirmou a existência de uma ordem de detenção contra o político opositor Carlos Vecchio, coordenador do partido de Leopoldo López, no que rotulou de uma "operação de perseguição" por parte do Governo. "A repressão não acerca, afasta, e o Governo não mostra escrúpulos por seu uso extensivo. Mais grave ainda, nem sequer uma menção fez o Governo aos 15 mortos por causa destes dias de violência. Essa insensibilidade debilita a credibilidade da intenção de diálogo que se proclama", agregam no comunicado de hoje. A Venezuela se encontra imersa em uma onda de protestos desde que no último dia 12 uma manifestação política acabou em atos de violência contra edifícios e bens públicos, que deixaram, além disso, três pessoas mortas, casos pelos quais hoje estão detidos oito agentes do Sebin. EFE jlp/ff












