Órfãos fogem de aposento a aposento para escapar da água nas Filipinas
Internacional|Do R7
Por Nathan Layne
PALO, Filipinas, 21 Nov (Reuters) - Autoridades de um orfanato nas Filipinas dizem que se sentem abençoadas porque nenhuma criança ficou ferida em um dos maiores tufões que o mundo já conheceu, mesmo que tenha reduzido a maior parte das estruturas vizinhas a ruínas.
Dolores Baculanta, de 49 anos, disse que se aprontava para dar banho nas crianças de idade pré-escolar quando escutou gritos de socorro da enfermaria na cidade costeira de Palo. O teto estava cedendo por causa dos fortes ventos, com 12 crianças dentro.
Ajudada pelo segurança de 60 anos Oscar Macaray, ela e outra cuidadora colocaram as criancinhas em dois berços e as levaram correndo para um escritório vizinho. Quando o telhado daquele aposento começou a cair, eles mudaram os berços para a sala.
"Era muito perigoso porque o vento era tão forte", disse Baculanta. "Eu não sabia de um lugar seguro para ir. A água tinha subido até os meus joelhos".
Lá perto, 18 crianças com idades entre três e 10 anos tinham sido levadas para uma sala de reuniões. Antes de a água invadir, elas buscaram abrigo debaixo de duas grandes mesas. À medida que a água subia rapidamente, elas subiram ou foram ajudadas a subir na mesa.
"Eu rezei e ajudei Rose, que estava quase se afogando", recordou May Joy, de sete anos.
Antes da tempestade, o orfanato administrado pelo governo abrigava 108 mulheres e crianças, muitas que foram abandonadas ou sofreram abusos sexuais.
Palo foi uma das cidades que sofreu o impacto do Tufão Haiyan, que matou mais de 4.000 pessoas e desalojou milhões por todo o centro das Filipinas.
Alicia Bolante, uma das líderes do orfanato, disse que pesados muros de concreto nos fundos do complexo, de frente para o mar, foram provavelmente os responsáveis por garantir que os prédios aguentassem enquanto muitas estruturas vizinhas desabaram.
Um dia depois do tufão, três crianças foram levadas em um avião militar C-130 para a capital, Manila, para ficarem com novos pais adotivos.
Um garoto de dois anos foi para um casal espanhol e irmãs para uma família italiana, em arranjos feitos antes da tempestade. A perda de parentes, amigos e casas é um trauma que o Unicef está tentando resolver em centros construídos na devastada cidade vizinha de Tacloban.
O primeiro dos sete "espaços para crianças", com barracas limpas para brincadeiras, aprendizado e discussões, foi montado na quarta-feira e terá equipamentos esportivos e artísticos assim que a remessa atrasada chegar.
Nesta quinta-feira, uma dezena de crianças pequenas ria enquanto cantava, brincava e orava dentro de uma tenda.
Um especialista em proteção à criança do Unicef, Pernille Ironside, disse que brincar era uma boa maneira de distrair as crianças na luta a curto prazo. A longo prazo, sessões de aconselhamento e discussão ajudariam.
O Unicef estima que 1,7 milhão de crianças foram desalojadas pela tempestade e pediu 61,5 milhões de dólares para ajudar.
(Reportagem adicional de Maxim Duncan, em Tacloban)









