Organismo francês BEA: referência mundial na investigação de acidentes aéreos
Internacional|Do R7
Javier Albisu. Paris, 25 mar (EFE).- Enquanto as autoridades ressaltam que não se descarta nenhuma hipótese sobre as causas do acidente com o avião da companhia alemã Germanwings nos Alpes franceses, todos os olhares se voltam para o Escritório de Investigações e Análise (BEA) da França, referência em acidentes aéreos. A França conta, ao lado dos Estados Unidos e do Reino Unido, com um dos organismos de especialistas em acidentes aéreos mais respeitados do mundo, com uma equipe heterogênea composta por engenheiros, ex-pilotos, técnicos em informática, matemáticos e especialistas em materiais. "O BEA francês tem uma grande reputação por vários fatores: essencialmente, está relacionado à tradição aeronáutica francesa", explicou à Agência Efe o redator-chefe do "Journal de l'Aviation", Romain Gillot. O jornalista lembrou que todos os países contam com uma instituição similar. O especialista acrescentou que "também pesa o fato de na França serem fabricadas caixas-pretas e em Toulouse existir uma grande cadeia de montagem do fabricante Airbus". O organismo, criado em 1946 e com sede no aeroporto parisiense de Le Bourget, é encarregado de averiguar o que provocou a tragédia do voo Barcelona-Düsseldorf, e analisar a partir de dados científicos o que pode ter ocorrido nos oito minutos nos quais o avião perdeu sete mil metros de altura. O órgão começará por decifrar uma das caixas-pretas, recuperada pelas equipes de socorro na montanha, com o registro das conversas na cabine. O conteúdo da segunda caixa-preta, com dados técnicos como velocidade e altitude do avião, ainda não foi encontrada. A caixa-preta encontrada ficou danificada devido à queda, mas os técnicos do BEA esperam poder utilizar seus dados e lançar luz sobre o motivo que levou o Airbus A320 da Germanwings a se chocar com a parede de uma montanha a três mil metros de altura. Neste caso, trata-se de uma tragédia ocorrida em solo francês, mas é habitual que os telefones do BEA soem quando um avião desaparece em qualquer lugar do mundo. Por exemplo, quando o Boeing 777 de Malaysia Airlines voo MH370 desapareceu dos radares, sem que até hoje tenha se descoberto os motivos, já que a fuselagem não foi encontrada, a BEA foi acionada. As autoridades malaias pediram ajuda à França, que enviou para a Malásia três de seus analistas, liderados por Jean-Paul Troadec, engenheiro aeronáutico e ex-presidente do organismo até sua aposentadoria. Os anos de Troadec à frente do BEA foram marcados pelo acidente com o voo da Air France entre o Rio de Janeiro e Paris, que em 1º de julho de 2009 caiu em águas do Atlântico, matando 228 pessoas. Primeiro, foram localizadas as caixas-pretas a mais de três mil metros de profundidade em um relevo submarino bastante acidentado, e finalmente foi concluído que uma sequencia de erros técnicos relacionados à medição da velocidade do voo confundiram a tripulação, que fez um diagnóstico incorreto e seguiu um protocolo inadequado. O último acidente internacional na mesa do BEA é o choque de dois helicópteros na província argentina de La Rioja, no qual morreram dez pessoas que iriam gravar um programa de televisão para uma emissora francesa. O BEA conta com uma centena de analistas e tem abertas investigações por acidentes aéreos recentes na Colômbia, Chile e Alemanha. Mas o BEA, que assinou acordos bilaterais com organismos similares de 24 países nos cinco continentes, e colaborou em investigações na Rússia, Comores, Venezuela e Egito, não estará sozinha na investigação sobre o voo que se acidentou entre Barcelona e Düsseldorf. A fabricante da aeronave, o grupo europeu Airbus, também enviou uma equipe técnica para ajudar na investigação. "Sempre que há um acidente com aeronaves do fabricante, assim que se divulga a notícia, uma equipe de analistas vai ao lugar onde ele ocorreu e colabora com o BEA ou com a organização similar do país para esclarecer as possíveis causas da tragédia e fornecer suporte técnico", explicou à Agência Efe uma fonte da Airbus. EFE jaf/dk (foto)













