Palestina questiona conclusão da investigação francesa sobre morte de Arafat
Internacional|Do R7
Ramala, 3 dez (EFE).- O presidente da comissão palestina que investiga a morte de Yasser Arafat, Taufik Tirawi, colocou em dúvida nesta terça-feira que o histórico líder palestino tenha morrido por uma "infecção generalizada" como conclui um relatório de especialistas franceses, segundo informou a emissora "France Inter". "Se isso fosse certo, porque os especialistas franceses não disseram claramente há nove anos", disse Tirawi em declarações à Efe. O representante palestino, que preside a comissão investigadora oficial da Autoridade Nacional Palestina (ANP), rejeitou fazer qualquer outro comentário até ter em mãos os resultados oficiais da investigação francesa. A emissora "France Inter" informou hoje em exclusiva que a análise, realizada após a investigação aberta em julho de 2012 pela Promotoria de Nanterre sobre as suspeitas de envenenamento, aponta que Arafat morreu como resultado de "uma infecção generalizada". Outras investigações científicas realizadas na Suíça e Rússia descobriram altas quantidades de polônio nas costelas e pélvis de Arafat, e por isso foi levantada a suspeita de envenenamento, embora não ofereceram nenhum resultado conclusivo. As investigações também revelaram que esse produto radioativo estava presente na terra sobre a qual seu corpo foi colocado. Arafat começou a sofrer sintomas de um transtorno gastrointestinal em 12 de outubro de 2004 e, após uma série de complicações que agravaram seu estado, foi transferido de Ramala a um hospital militar de Paris, onde morreu em 11 de novembro do mesmo ano. Sua viúva, Suha Arafat, defendeu desde então que o antigo líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) foi envenenado por alguém de seu entorno próximo. Em julho de 2012, Suha pediu a exumação do corpo de seu marido, depois que a emissora catariana "Al Jazeera" transmitiu uma reportagem exclusiva sobre sua morte, na qual concluía que Arafat pode ter sido morto por envenenado com polônio 210, uma substância altamente radioativa encontrada em seus objetos pessoais. Os rumores do suposto envenenamento existiam desde que o líder palestino abandonou a Cisjordânia com direção ao hospital parisiense, e a investigação da "Al Jazeera" reabriu as suspeitas. A viúva de Arafat decidiu então apresentar uma denúncia por suposto assassinato perante o Tribunal de Grande Instância de Nanterre, mas não acusou ninguém em particular porque para se referir ao autor desses supostos fatos se serviu da fórmula de processo "contra X". A posição oficial palestina, revelada por Tirawi em entrevista coletiva após apresentar os resultados das análises na Suíça e Rússia, aponta Israel como autor intelectual do suposto crime e pessoas do entorno mais próximo de Arafat como autores materiais. Em entrevista nesta manhã à agência "Ma'an", Tirawi recusou revelar se a ANP tem algum suspeito, e assegurou que seus nomes só serão conhecidos quando os resultados da investigação forem conclusivos e ajudem a chegar aos responsáveis. Por sua vez, Israel disse hoje "não estar surpreendido" pelos resultados da investigação francesa. O porta-voz do Ministério israelense das Relações Exteriores, Yigal Palmor, qualificou o resultado de "lógico" e acrescentou em declarações à Agência Efe que "este deve ser o ponto final ao assunto". EFE nm-elb/ff









