Paquistaneses desafiam talibãs e comparecem em bom número às urnas
Internacional|Do R7
Peshawar (Paquistão), 11 mai (EFE).- Os pasquitaneses desafiaram neste sábado os talibãs e foram em bom número às urnas, apesar da ameaça de morte insurgente contra os que participassem das eleições gerais realizadas no país. Longas filas foram formadas durante o dia todo em frente aos colégios eleitorais nas principais cidades do Paquistão, onde o terrorismo é endêmico, mas a violência foi de baixa intensidade e não fez descarrilhar o processo de votação. As autoridades informaram, durante o anoitecer, que 13 pessoas morreram em atentados cujo saldo mortal não superou o contabilizado diariamente em um país onde em apenas um década os ataques de cunho político deixaram mais de 40 mil mortos. Próxima à fronteira com o Afeganistão e epicentro de comunidade local de etnia pashtun - majoritária no país viznho e à qual pertecem os talibãs de ambos os lados da divisa -, Peshawar é uma das cidades mais inseguras do Paquistão. Mas o ambiente de relativa normalidade eleitoral não diferiu da tônica geral registrada no resto do país. Um policial e oito civis ficaram feridos na pior ação armada de hoje e que teve como alvo um colégio eleitoral masculino -no Paquistão os gêneros votam separadamente. "Não temos medo. Após a explosão, nós fomos embora mas pouco a pouco voltamos", disse à Agência Efe Waheed Ullah Khan, que se dispunha a votar e que explicou que a única mudança desde a explosão é que o povo se alinhava no lado oposto ao que aconteceu a deflagração. "Os talibãs são nosso maior problema, mas vamos resolver por meios militares e a negociação", afirmou outro eleitor, Ibrar Khan, que assegurou que os insurgentes mataram há três meses seu irmão Inram em uma explosão em um bazar local. O capitão de polícia Ijaz Khan, a cargo da segurança de outro centro de votação, habilitado em uma escola para cegos do leste da cidade, explicou que "tudo está estupendamente bem e que não houve nenhum incidente". "Veio muita gente porque não temos medo algum aos talibãs e tudo se desenvolve com normalidade", disse. As autoridades confiam em que a média de afluência às urnas supere 50% - seis pontos a mais do que há cinco anos-, mas preveem que seja menor entre as mulheres, cuja participação eleitoral continua sendo uma das principais questões pendentes. Além disso, seguem sofrendo um acusado déficit educativo e estão imersas no obscurantismo em um país dominado desde sempre pelos homens. Assembleias tribais e grupos políticos da província da qual Peshawar é capital, Khiber Pakhtunkhwa, decretaram a proibição do sufrágio feminino, o que impediu que mulheres de várias aldeias de distritos da área exercessem seu direito ao voto. Em um colégio eleitoral feminino de Hazane Pein, um bairro popular da capital provincial, a votação foi suspensa por algumas horas depois que foram apresentadas denúncias de que um grupo de mulheres tinha ido ali para depositar o voto de forma ilegal. Segundo um observador local, Shahaf Uddin, a situação complicou porque a apresentar uma dotação policial para evacuá-las, as mulheres se negaram a obedecer por se tratar de agentes masculinos, e só se retiraram depois que policiais femininas chegaram ao local. EFE amg/ff (foto)











