Logo R7.com
RecordPlus

Para Brasil, associação do Mercosul com UE deve respeitar ritmo dos países

Internacional|Do R7

  • Google News

Bruxelas, 3 dez (EFE).- A embaixadora do Brasil na União Europeia, Vera Barrouin, se mostrou nesta terça-feira favorável a que os países do Mercosul negociem o tratado de associação com a União Europeia (UE) "em seu próprio ritmo", mas dentro de um processo único com todo o bloco, não de forma bilateral. Barrouin disse a Agência Efe que o Brasil não cogita negociar um tratado de associação com a UE fora do Mercosul, apesar de afirmar que "o que se pode fazer, que se colocou, mas ainda não se decidiu, é que cada um pudesse ter seu próprio ritmo de negociação". "Mas ainda está tudo no ar", detalhou após uma conferência em Bruxelas sobre a associação estratégica entre Brasil e a União Europeia. Já o chefe da Divisão para o Mercosul do Serviço Europeu de Ação Exterior, Andrianus Koetsenruijter, foi taxativo ao afirmar durante o encontro que o acordo de associação "só se assinará no contexto do Mercosul e não bilateralmente com o Brasil". A UE e o Mercosul retomaram em 2010 a negociação de um acordo de associação, que inclui a liberalização de seu comércio, mas o processo ficou novamente suspenso pela crise que significou a suspensão do Paraguai em junho de 2011, após a destituição do então presidente Fernando Lugo. Durante a suspensão, que o Mercosul cancelou em 15 de agosto assim que assumiu o novo presidente eleito do Paraguai, Horacio Cartes, o bloco incorporou a Venezuela, que ainda não faz parte das negociações com os europeus. O próximo passo no processo com a UE é os quatro Estados fundadores do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) e a UE apresentarem suas listas de oferta de acesso a mercados, algo que se comprometeram a fazer antes do fim de ano. A União Europeia, assim como Brasil e Uruguai, confirmaram que já têm as suas, e a eles se soma, diz Barrouin, Paraguai. No entanto, a embaixadora acrescentou que a Argentina ainda está trabalhando nisso, por isso existe a possibilidade de, se a proposta do governo de Cristina Kirchner não chegar a tempo, o Mercosul não poder apresentar as ofertas dentro do prazo fixado. "É uma hipótese que ninguém quer aceitar, então não está se pensando em outros passos ou na hipótese de a Argentina não apresentar ofertas", revelou a embaixadora brasileira. Perguntada se o Brasil perde oportunidades com a UE por esperar seus parceiros, Barrouin respondeu a Efe que "claro". O "Mercosul é um projeto estratégico muito importante que mantivemos por muito tempo", acrescentou, e assinalou que "a presidente (Dilma Rousseff), tem uma convicção clara da importância da UE, do Mercosul e de como combinar os dois pesos". O Mercosul e a relação com a Argentina têm uma importância estratégica para o Brasil também no que se refere à manutenção da estabilidade na região, tal como evidenciou durante a conferência o professor da universidade de Ciências Políticas de Paris, Alfredo Valadão. No entanto, Valadão, assim como o investigador do Centro de Estudos de Política Europeia Michael Emerson, defenderam "flexibilizar as relações" e propuseram que a UE negocie certos capítulos do tratado de associação de forma bilateral com o Brasil. A UE, no entanto, deixou claro desde o início do processo que este acordo só seria assinado com o bloco regional. EFE lpc/cd

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.