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Partidários de Mursi convocam novos protestos no Egito

Manifestantes exigem há mais de um mês o retorno ao poder do presidente deposto

Internacional|Do R7

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Membros da Irmandade Muçulmana e simpatizantes do presidente deposto, Mohamed Mursi, participaram de protesto no sábado (10)
Membros da Irmandade Muçulmana e simpatizantes do presidente deposto, Mohamed Mursi, participaram de protesto no sábado (10)

Os partidários do presidente islamita deposto Mohamed Mursi fizeram neste domingo (11) um chamado a novas manifestações no Egito, quando expira um ultimato lançado pelas autoridades egípcias para que desmontem seus acampamentos em duas praças do Cairo.

Entrincheirados com mulheres e crianças, os manifestantes exigem há mais de um mês o retorno ao poder do primeiro presidente egípcio eleito democraticamente, deposto e detido pelas Forças Armadas no dia 3 de julho, após grandes manifestações que pediam sua renúncia.


O novo governo provisório impulsionado pelos militares, que prometeu eleições para o início de 2014, ameaça desalojar à força os partidários de Mursi das praças de Rabaa al Adawiya e Nahda após a festa do fim do Ramadã, que termina na noite deste domingo.

Em um mês, mais de 250 pessoas, em sua maioria partidários de Mursi, morreram em confrontos com as forças de segurança e com opositores do ex-presidente.


A Aliança contra o Golpe de Estado e pela Democracia convocou neste domingo seus partidários a participar em "10 marchas" em toda a capital "para defender a legitimidade das eleições".

Este grupo, que organiza os acampamentos de Rabaa e Nadha, é dirigido principalmente pela Irmandade Muçulmana, influente confraria religiosa a qual Mursi pertence e que venceu as eleições legislativas após a queda de Hosni Mubarak.


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A Irmandade Muçulmana, que reitera seu desejo de realizar manifestações pacíficas, exige a libertação de Mursi e dos principais líderes da confraria detidos desde 3 de julho, assim como a restauração do presidente e da Constituição, suspensa pelos militares.

Por sua vez, o governo provisório, que responde ao verdadeiro homem forte do país, o general Abdel Fatah al-Sissi, chefe das Forças Armadas, ministro da Defesa e vice-primeiro-ministro, propõe que a Irmandade Muçulmana participe do processo eleitoral de 2014.

Ahmed al Tayyeb, o grande imã da mesquita e da universidade de Al Azhar do Cairo, principal instituição sunita do mundo, pediu neste domingo uma reconciliação nacional e disse ter convidado todas as partes a negociar um compromisso na segunda-feira.

No entanto, há poucas chances de que a Irmandade Muçulmana aceite.

O imã Al Tayyeb se posicionou abertamente do lado do general Al Sissi no dia 3 de julho.

Onda de pânico após corte de eletricidade

Como sinal de que a tensão está em seu ponto máximo e que a intervenção da polícia é iminente, um corte de eletricidade no bairro de Rabaa na madrugada deste domingo provocou uma onda de pânico nas redes sociais e nas salas de redação, e alguns anunciaram inclusive que um ataque havia começado.

Mas tudo não passou de um alerta falso.

A polícia repetiu nos últimos dias que a evacuação das praças Rabaa e Nahda é iminente.

O governo interino acusa a Irmandade Muçulmana de ser composta por terroristas, de ter escondido armas automáticas nas duas praças e de utilizar mulheres e crianças como escudos humanos.

Os opositores de Mursi, por sua vez, o criticam por ter acumulado todo o poder em favor de seu movimento, a Irmandade Muçulmana, e por ter terminado de arruinar uma economia que já tinha muitas dificuldades.

Na noite de quinta-feira (8), o primeiro-ministro interino, Hazem el Beblawi, reiterou a ameaça de uma intervenção das forças para dispersar os dois granes protestos nas praças do Cairo.

— A situação está se aproximando do momento que nós preferíamos evitar.

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