Polônia olha inquieta para emigração, com mais de 2 milhões fora do país
Internacional|Do R7
Nacho Temiño. Varsóvia, 30 dez (EFE).- Com mais de dois milhões de poloneses no exterior, principalmente em países da União Europeia, e a emigração aumentando, motivada pelos baixos salários oferecidos na Polônia, o governo de Varsóvia olha com preocupação para a diminuição da população. Zuzanna Jurczak, empregada de farmácia de 29 anos, já emigrou há algum tempo; saiu do leste, a região mais pobre do país, para a Posnania, no oeste, por acreditar que os salários e as condições de trabalho seriam melhores. Por isso agora se prepara para uma nova mudança, desta vez a Londres, onde já vivem vários de seus amigos que a encorajam a dar o salto para trabalhar com melhor salário e maior projeção. "Continuo ganhando muito pouco e, se não fossem meus pais terem me ajudado a comprar um apartamento (de cerca de 40m²), meu salário não me permitiria viver com nenhuma folga", explicou à Agência Efe Zuzanna, que lamentou que na Polônia muitas profissões não sejam suficientemente bem pagas. O caso de Zuzanna é igual ao de outros milhares de poloneses que, todos os anos, decidem abandonar seu país para se mudarem, principalmente, para o Reino Unido, a Alemanha, a Irlanda e a Escandinávia. Muitos dos emigrantes poloneses são de pequenas localidades e áreas rurais do leste de país, onde, apesar de haver oportunidades de trabalho (o desemprego na Polônia oscila em torno de 13%), os salários nem sempre alcançam o mínimo, fixado em 400 euros mensais. O Escritório Central de Estatística da Polônia estima que cerca de 2,1 milhões de poloneses vivam no exterior, um número que chegou a alcançar os 2,3 milhões em 2007, quando a crise econômica fez com que muitos voltassem para casa e fizesse pensar que o êxodo tinha chegado ao fim. No entanto, nos últimos três anos o número de emigrantes voltou a aumentar e aos trabalhadores não qualificados que saem de zonas rurais se somam jovens graduados que partem com a intenção de economizar durante alguns anos para depois retornar, embora isto nem sempre aconteça. O responsável pelo sindicato patronal polonês, Henryka Bochniarz, diz que no país existe uma "fuga de cérebros", e que é preciso tentar freá-la para que no futuro o país possa contar com seus próprios talentos. Para isso o salário médio do país terá que aumentar, já que atualmente mal supera os 3.800 zlotis brutos (R$ 2.900), enquanto o custo de vida cresce nas grandes cidades. Recentemente, o governo polonês anunciou sua intenção de elevar o salário mínimo e de estudar a possibilidade de impor um salário mínimo por hora de trabalho. Para a socióloga Malgosia Wos, o número de emigrantes poloneses deveria diminuir pouco a pouco nos próximos anos, conforme a brecha entre a economia polonesa e da Europa ocidental também vá diminuindo. No entanto, apontou Wos, deve-se levar em conta o lado positivo da situação: um grande número de poloneses emigrou nos últimos anos, o que deu a eles novos conhecimentos, capacidade de adaptação e domínio de idiomas, algo cada vez mais apreciado pelo mercado de trabalho, e o tornará mais valioso no mercado polonês. EFE nt/cd-rsd









