Por que a Colômbia está acusando o Equador de interferir nas eleições presidenciais
Bogotá realizará segundo turno do pleito no dia 21 de junho; disputa está acirrada
Internacional|Do R7
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A crise diplomática entre Colômbia e Equador ganhou novos capítulos em meio à eleição presidencial colombiana. O governo do presidente Gustavo Petro acusa o líder equatoriano, Daniel Noboa, de tentar influenciar a disputa eleitoral ao anunciar a suspensão de tarifas sobre produtos colombianos durante uma conversa com o candidato de direita Abelardo de la Espriella.
A polêmica começou na sexta-feira (29), quando Noboa afirmou que o Equador eliminaria, a partir de 1º de junho, a chamada “taxa de segurança” aplicada às importações colombianas. O anúncio foi feito durante uma videoconferência com De la Espriella, um dos principais nomes da oposição ao governo de Petro.
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Além de confirmar o fim das tarifas, Noboa declarou que havia discutido com o candidato colombiano ações conjuntas para combater o narcotráfico na fronteira entre os dois países. Segundo o presidente equatoriano, ambos compartilham a disposição de promover uma estratégia mais rigorosa contra organizações criminosas.
A reação de Bogotá foi imediata. Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores da Colômbia classificou o episódio como uma “interferência deliberada” na eleição presidencial e acusou o governo equatoriano de apresentar de forma enganosa uma medida que já havia sido determinada pela Comunidade Andina de Nações (CAN).
“O governo da Colômbia manifesta seu categórico repúdio à apresentação da revogação das tarifas como um gesto de boa vontade do Equador, quando a decisão responde ao cumprimento de determinações da CAN”, afirmou o comunicado.
Para o governo colombiano, a atitude de Noboa representa uma violação do princípio de não intervenção nos assuntos internos de outro Estado e pode comprometer as relações diplomáticas entre os dois países.
A disputa comercial entre Colômbia e Equador teve início em fevereiro, quando Quito passou a aplicar sobretaxas sobre produtos colombianos sob a justificativa de que Bogotá não estaria adotando medidas suficientes para combater o narcotráfico e outras atividades criminosas na fronteira comum de 586 quilômetros. As tarifas começaram em 30%, foram elevadas para 50% e chegaram a 100% em maio.

A controvérsia ocorreu às vésperas das eleições presidenciais na Colômbia. No domingo (31), nenhum candidato alcançou a maioria necessária para vencer em primeiro turno. Com mais de 99% das urnas apuradas, Abelardo de la Espriella terminou na liderança, com 43,7% dos votos, seguido pelo senador de esquerda Iván Cepeda, apoiado por Petro, que obteve 40,9%.
Os dois disputarão o segundo turno em 21 de junho. Enquanto Cepeda defende a continuidade das políticas do atual governo, De la Espriella promete endurecer o combate às guerrilhas e ao crime organizado por meio de uma estratégia de segurança mais rígida.
A eleição acontece em um cenário de forte preocupação com a violência. Pesquisas recentes apontam a segurança pública como o principal problema enfrentado pelos colombianos, superando temas econômicos e sociais. Em diversas regiões do país, ataques atribuídos a grupos armados e dissidências guerrilheiras continuam alimentando a sensação de insegurança entre a população.
Com a disputa aberta e as relações entre Bogotá e Quito sob tensão, a campanha para o segundo turno deverá ser marcada não apenas pelo debate sobre segurança e paz, mas também pelos reflexos diplomáticos da crise envolvendo os dois países.
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