Por que a Marinha dos EUA está investindo na automação da produção de submarinos
Escassez de mão de obra, atrasos e gargalos industriais levam força naval a apostar em inteligência artificial e fábricas automatizadas
Internacional|Do R7
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A Marinha dos Estados Unidos está investindo cerca de US$ 900 milhões (cerca de R$ 4,7 bilhões) na automação da produção de submarinos como resposta a uma combinação de problemas estruturais na indústria naval, especialmente a falta de trabalhadores qualificados e os atrasos na entrega de embarcações estratégicas.
Segundo autoridades e analistas do Congresso, a base industrial de submarinos do país precisa de milhares de novos profissionais para atingir as metas de produção. A escassez atinge tanto estaleiros quanto fornecedores, reduzindo o ritmo de fabricação e pressionando programas considerados prioritários.
LEIA MAIS:
Diante desse cenário, a automação surge como uma solução para acelerar a produção e compensar a falta de mão de obra. A estratégia inclui o uso de inteligência artificial para aumentar a produtividade e tornar os processos mais eficientes.
Um dos principais exemplos dessa mudança é a inauguração de uma nova fábrica altamente automatizada no Alabama, chamada Factory 4. A unidade foi construída pela empresa Hadrian e será responsável por produzir peças e sistemas para submarinos das classes Virginia e Columbia.
De acordo com o secretário da Marinha, John Phelan, o modelo adotado representa uma transformação na forma de produzir equipamentos militares. Em vez de depender de dezenas de fornecedores, a nova fábrica utiliza sistemas integrados que vão da matéria-prima até componentes prontos para uso.
A automação também permite operação contínua das fábricas e acelera a formação de trabalhadores. A Hadrian afirma que consegue treinar técnicos em até 30 dias, reduzindo significativamente o tempo necessário para qualificação profissional.
Outro objetivo da iniciativa é reorganizar a cadeia produtiva. Ao transferir parte da fabricação de componentes para essas novas unidades, os estaleiros podem concentrar esforços na montagem final dos submarinos, aumentando a eficiência geral do processo.
Esse modelo, chamado de “construção naval distribuída”, prevê a criação de fábricas em diferentes regiões do país. Mesmo distantes dos estaleiros, essas unidades ajudam a reduzir gargalos e acelerar os prazos de entrega.
A expectativa é que a Factory 4 atinja sua capacidade total de produção entre 18 e 24 meses, após etapas de implementação, certificação de componentes e cumprimento de requisitos de segurança.
Investimento em sistemas digitais
Além das fábricas automatizadas, a Marinha também investe em sistemas digitais para otimizar o planejamento e a gestão da produção. Um exemplo é o Shipbuilding Operating System (Ship OS), lançado com investimento de meio bilhão de dólares.
A plataforma, baseada em tecnologia da Palantir, já demonstrou ganhos expressivos. Em testes iniciais, o tempo de planejamento de cronogramas de submarinos caiu de 160 horas para menos de 10 minutos em um estaleiro, enquanto análises de materiais passaram de semanas para menos de uma hora.
O sistema deve ser expandido para grandes construtores navais, estaleiros públicos e cerca de 100 fornecedores, ampliando o uso de inteligência artificial em toda a cadeia produtiva.
Com essas iniciativas, a Marinha busca não apenas resolver problemas imediatos, mas também modernizar sua base industrial. A aposta é que a automação permita cumprir prazos, reduzir custos e aumentar a capacidade de produção em um cenário de crescente demanda por submarinos nucleares.
Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp











