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Por que telefones antigos e seus acessórios estão ganhando mais espaço, segundo estudo

Trabalho combina pesquisas realizadas ao longo de 10 anos com mais de 100 australianos

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Pessoas estão buscando estratégias para reduzir o uso de smartphones, como desligar o aparelho ou usar acessórios que dificultam o acesso.
  • O estudo de Jess Hardley, publicado na revista 'M/C', revela que o afastamento dos smartphones não é uma rejeição à tecnologia, mas uma tentativa de recuperar controle sobre a relação com o dispositivo.
  • Estratégias como "prisões para celulares" e eventos de leitura offline estão sendo adotadas para criar distanciamento e promover a desconexão.
  • Apesar do movimento de afastamento, a pesquisa não indica uma sociedade pronta para abandonar os smartphones, mas sim uma busca por novas formas de convivência.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Itens com aparência retrô ganham espaço entre as pessoas Mingwei Lim/Unsplash

A volta de acessórios inspirados nos antigos telefones fixos pode esconder algo além da nostalgia. Bases de parede para celulares, aparelhos com fio espiralado e outros itens de aparência retrô estão ganhando espaço entre pessoas que procuram maneiras de reduzir o contato constante com os smartphones. A tendência foi analisada pela pesquisadora Jess Hardley, da Edith Cowan University, na Austrália, em estudo publicado na revista científica M/C.

A pesquisa aponta que esses produtos podem representar uma tentativa de interromper a relação cada vez mais próxima criada entre usuários e celulares nas últimas duas décadas. Segundo Hardley, os smartphones foram desenvolvidos para acompanhar as pessoas o tempo todo, permanecendo ao alcance das mãos e sendo transportados de um cômodo para outro.


O estudo, intitulado “Revisiting the ‘Snug Tether’: Smartphones in an Era of Scroll-Free Social Events, Landline Accessories, and Device Bans”, reúne mais de dez anos de pesquisas com usuários australianos de smartphones. A investigação analisou não apenas o uso dos aparelhos, mas também situações em que as pessoas deliberadamente tentam criar uma distância física deles.

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Um dos casos observados pela pesquisadora envolve uma participante que decidiu guardar o celular em uma gaveta no trabalho. Ela relatou que estava tão envolvida com jogos no aparelho que considerava o comportamento uma “obsessão” e percebeu que isso estava prejudicando sua concentração nas atividades profissionais.


Para Hardley, o aspecto mais significativo não é apenas a vontade de utilizar menos o smartphone, mas a necessidade de dificultar fisicamente o acesso a ele. Em vez de simplesmente decidir não olhar para a tela, algumas pessoas colocam o aparelho em outro cômodo, trancam o dispositivo ou recorrem a objetos que tornam o acesso menos imediato.

É nesse contexto que aparecem os acessórios inspirados nos telefones antigos. Alguns produtos funcionam como bases fixadas na parede, enquanto outros reproduzem a aparência e a experiência de aparelhos com fio espiralado. Embora possam parecer apenas itens decorativos ou nostálgicos, a pesquisa aponta que eles também podem cumprir uma função prática: manter o celular disponível sem permitir que ele acompanhe o usuário constantemente.


O estudo identifica ainda outras estratégias utilizadas para reduzir o contato com os aparelhos. Entre elas estão eventos em que os participantes ficam sem celular, restrições para determinados aplicativos, configuração da tela em tons de cinza e bolsas com travas utilizadas para impedir o acesso ao telefone durante shows.

Uma das iniciativas citadas é o Offline Club, em Amsterdã, na Holanda, que promove encontros nos quais os participantes levam os aparelhos, mas precisam mantê-los desligados e guardados durante a atividade. A proposta é criar um período de convivência sem rolagem de telas e notificações.


A mudança de comportamento não ocorre apenas por iniciativa individual. O estudo relaciona essas práticas ao avanço de medidas que restringem o uso de smartphones em determinados ambientes, especialmente nas escolas australianas. Assim, enquanto algumas pessoas criam suas próprias regras para limitar o contato com os aparelhos, instituições também estabelecem períodos nos quais os celulares precisam permanecer inacessíveis.

Para Hardley, os dois movimentos fazem parte de uma transformação mais ampla na relação com os smartphones. Depois de anos de uma cultura baseada na ideia de estar permanentemente conectado, começam a surgir questionamentos sobre quando e onde os aparelhos realmente precisam estar presentes.

A pesquisa também mostra que essa ligação pode ser tão automática que a ausência do celular chega a provocar respostas físicas. Em um dos exemplos analisados, uma pessoa que esqueceu o aparelho em casa continuou levando a mão ao bolso ao longo do dia, mesmo sabendo que não encontraria o telefone ali.

Esse comportamento é interpretado como um reflexo da chamada memória muscular, resultado de gestos repetidos durante o uso cotidiano. O smartphone, nesse sentido, deixa de ser apenas um objeto tecnológico e passa a fazer parte dos movimentos habituais do corpo.

O estudo conclui que ainda não se trata de uma rejeição generalizada aos smartphones. Os aparelhos continuam desempenhando funções importantes na comunicação e na vida cotidiana. O que parece estar mudando é a disposição de algumas pessoas em aceitar a conexão permanente como algo obrigatório.

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