Premiê italiano Renzi anuncia renúncia após derrota em referendo
Reforma constitucional do líder foi rejeitada nas urnas pelo povo
Internacional|Do R7, com Ansa e Reuters

O primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, anunciou que irá renunciar após sofrer uma derrota esmagadora no domingo (4) em um referendo sobre uma reforma constitucional, lançando a terceira maior economia da zona do euro em turbulência política.
A decisão de Renzi de renunciar após dois anos e meio no gabinete afeta em cheio a União Europeia, já sofrendo com múltiplas crises e lutando para superar forças anti-establishment que atingiram a política ocidental neste ano.
O euro caiu para a mínima de 20 meses contra o dólar, à medida que os mercados ficaram preocupados que a instabilidade da Itália possa reiniciar uma crise financeira e afetar o frágil setor bancário italiano.
"Assumo total responsabilidade pela derrota", disse Renzi em discurso televisionado à nação, dizendo que irá entregar sua renúncia formal nesta segunda-feira ao presidente Sergio Mattarella.
Incerteza
Fundado pelo humorista Beppe Grillo, o M5S tornou-se o segundo maior partido do país baseado em uma plataforma populista e antissistema, mas até pouco tempo atrás seu sucesso se restringia a uma significativa representação no Parlamento e ao comando de cidades pequenas e médias.
Em junho de 2015, o movimento deu um salto ao conquistar duas das maiores metrópoles do país, a capital Roma e Turim. Com isso, cresceram na Europa os temores de que uma vitória do "não" no referendo pudesse levar o partido de Grillo ao Palácio Chigi. Nas semanas anteriores ao referendo, líderes europeus vieram a público para defender a reforma constitucional, a começar pela chanceler da Alemanha, Angela Merkel.
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A preocupação cruzou o Atlântico e chegou aos Estados Unidos, onde o presidente Barack Obama dedicou o último jantar de gala na Casa Branca a exaltar Renzi. Porém de nada adiantou todo esse apoio angariado no exterior. Assim como Donald Trump superou o establishment político representado por Hillary Clinton, prevaleceu na Itália o desejo de despachar um premier que iniciou a carreira como "reciclador", mas que acabou derrotado pelo desencanto e desejo de mudança que permeia países do mundo todo.
O M5S não é propriamente contrário à presença do país na União Europeia, mas defende sua saída da zona do euro, o que pode representar mais um golpe na estabilidade do bloco e da moeda comum, que já vivem rodeados de incertezas por conta da "Brexit", do avanço da extrema-direita e até da vitória de Trump.
A maioria das pesquisas eleitorais feitas no país mostra que o movimento de Beppe Grillo é o preferido de cerca de um terço do eleitorado, em situação de empate técnico com o centro-esquerdista Partido Democrático (PD), liderado pelo primeiro-ministro. Com isso, suas chances de vencer eventuais eleições são concretas.
O que acontece agora?
Com a renúncia de Renzi, todos os olhos estarão voltados ao presidente da República, Sergio Mattarella, que está a menos de dois anos no cargo e tem pela frente seu maior desafio na vida pública. É sua prerrogativa dissolver o Parlamento e convocar novas eleições, como cobra a oposição.
No entanto, a Itália vive atualmente em um limbo que dificulta a possibilidade de ir às urnas antecipadamente. A atual lei eleitoral do país foi declarada inconstitucional pela Justiça, e aquela aprovada pelo governo Renzi está diretamente ligada à reforma rejeitada neste domingo, já que vale apenas para a Câmara dos Deputados.
Outra opção de Mattarella seria designar alguém para formar um novo governo. Cada vez mais desidratado politicamente, Silvio Berlusconi se disse disposto a patrocinar um gabinete de união nacional. Por outro lado, o M5S, que detém um terço dos assentos do Parlamento, garante que só aceitaria guiar um governo após novas eleições. Além disso, se isso acontecer, a Itália terá seu quarto premier seguido sem passar pelo crivo das urnas, após Mario Monti, Enrico Letta e o próprio Renzi.
O primeiro-ministro também poderia ser encarregado pelo presidente de chefiar um gabinete "técnico" até a realização de um pleito antecipado, provavelmente na primavera europeia de 2017, mas permaneceria o desafio de encontrar uma maioria em um Parlamento dividido em três para aprovar uma nova lei eleitoral antes de ir às urnas. Nesse cenário, Berlusconi poderia ser o fiel da balança.
Também existe o temor de que o resultado do referendo espante investidores e agrave as dificuldades enfrentadas por diversos bancos do país, prejudicando a retomada da economia e do emprego.
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