Presidente da Catalunha diz que catalães estão "deconectados" da Espanha
Internacional|Do R7
Brasília, 10 jul (EFE).- O presidente da Catalunha, Artur Mas, afirmou em entrevista publicada nesta quarta-feira pelo jornal "O Globo" que "os catalães estão cada vez mais desconectados do Estado espanhol" e que "não se pode ignorar sua vontade" de fazer uma consulta sobre a autodeterminação. Artur Mas, que está visitando o Brasil, afirmou que os movimentos a favor da independência cresceram "como consequência de 35 anos de democracia nos quais a Catalunha fez todas as apostas para ajudar a Espanha e não recebeu quase nada em troca". O mandatário alegou que "déficit fiscal de transferências econômicas entre a Catalunha e o resto da Espanha que é de 8,5% do PIB da Catalunha" e acrescentou que "certamente o movimento ganhou força devido à crise econômica e ao fato de que as pessoas não veem solução com o Estado espanhol". Segundo Mas, "houve um ponto essencial nos últimos anos" e foi "uma sentença do Tribunal Constitucional que derrubou o estatuto de autonomia catalão, aprovado pelo Parlamento espanhol e Catalunha". O presidente catalão afirmou que tentou conversar sobre o assunto com o presidente do governo, Mariano Rajoy, e com o opositor Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) mas afirmou que "até agora é um diálogo de surdos". Artur Mas desqualificou a tese que a consulta é anticonstitucional e assegurou que "não é um problema de leis", porque "aas leis podem se acomodar à vontade do povo" e podem ser "modificadas", assim como a própria Constituição espanhola. Para o governante, " O que acontece é que o Estado espanhol não quer aceitar porque possivelmente teme que a resposta da população seja a favor de um Estado próprio". Também advertiu que se o governo "mantiver essa rejeição", se "tentará fazer a consulta com base na legislação catalã", pois "não se pode ignorar a vontade da população", insistiu. Segundo Mas, uma Catalunha independente "teria a mesma viabilidade" que países como a Dinamarca, Áustria e Portugal dentro da União Europeia (UE). Também sustentou que a proposta para um referendo sobre a independência da Escócia, que será realizado em 2014, pudesse servir como exemplo para o caso da Catalunha. "Territórios como Escócia ou Catalunha, que são nações antigas, acabam se impondo. Querem autogovernar-se. E isso a Espanha não entende", declarou. EFE ed/tr









