Primeiro-ministro português supera moção de censura dos socialistas
Internacional|Do R7
Lisboa, 3 abr (EFE).- O primeiro-ministro de Portugal, o conservador Pedro Passos Coelho, superou nesta quarta-feira - por obter a maioria absoluta dos votos - a moção de censura apresentada pelo Partido Socialista (PS), que pediu a renegociação do resgate financeiro do país. A coalizão de social-democratas e democratas-cristãos que governa Portugal (com 132 dos 230 deputados) superou com facilidade a primeira votação de censura apresentada pelo PS (74 deputados) com o apoio dos partidos marxistas da câmara (24). Durante o debate da moção, o primeiro-ministro qualificou a iniciativa de "irresponsável" e prejudicial para a credibilidade do país. Enquanto isso, a oposição reivindicava a renúncia do governante e o fim "infinito da austeridade" que elevou a taxa de desemprego e que fez a economia retroceder durante três anos consecutivos. O PS e o Partido Social Democrata (PSD, centro-direita) - que é o de Passos Coelho -, "os dois grandes" que se alternaram no governo de Portugal, mostraram hoje a ruptura total do consenso sobre o cumprimento das obrigações do resgate, que mantinham até alguns meses atrás. O primeiro-ministro defendeu a necessidade de Portugal honrar seus compromissos e disse que o principal partido de oposição não cumpriria as exigências se chegasse ao poder. Já os socialistas, pediram uma "renegociação profunda" das condições impostas por causa do resgate. O secretário-geral do PS, António José Seguro, pediu a renúncia de Passos Coelho para evitar que ele "destrua" o país, e se mostrou, pela primeira vez, decidido a liderar um novo governo que promova o emprego e o crescimento para retirar Portugal do abismo ao que foi conduzido durante dois anos de "cega austeridade". Passos Coelho - que foi eleito no pleito antecipado, realizado um mês depois de o PS pedir a ajuda externa - acusou o partido da oposição de prejudicar a credibilidade do país e criar uma "instabilidade" enquanto os melhores prazos para devolver o empréstimo são negociados com a União Europeia (UE). O ministro de Relações Exteriores, Paulo Portas, líder dos democratas-cristãos que garantem a ele a maioria absoluta, foi enfático nas críticas à "irresponsabilidade" dos socialistas por colocarem em risco negociações das quais dependem os vencimentos de boa parte dos 78 bilhões de euros do resgate (cerca de R$ 200 bilhões). Portas - cujo partido criticou algumas das medidas de austeridade implantadas por Passos Coelho - reprovou a postura dos socialistas, apesar das supostas discordâncias entre ele e o primeiro-ministro. Apesar disso, o primeiro-ministro garantiu que o PS está mais divido que sua coalizão, e ressaltou que a insistência dos socialistas em renegociar o resgate implicara um segundo programa de assistência à Portugal, com novos prazos e fundos. Ele também chamou atenção para o fato de que foi o PS que solicitou e negociou as condições da ajuda, e que, mesmo assim, insiste em responsabilizar o atual governo por ter imerso o país na crise financeira que obrigou os portugueses a se submeterem a sacrifícios durante os últimos dois anos. O secretário-geral do PS, António José Seguro, cujo partido se absteve, no último ano, de três moções de censura dos partidos marxistas, justificou a de hoje pela urgência de deter a "tragédia" econômica e social que Portugal vive. Além disso, ele afirmou que Passos Coelho cometeu erros, e, por isso, agora está perdido "em um labirinto do qual não sabe como sair". Para 2013, disse Seguro, o governo previu um crescimento de 0,6% e, após dois anos de queda do PIB, agora prevê outro retrocesso da economia de 2,3%, o que representa "um erro de 4,5 bilhões de euros (cerca de R$ 11 bilhões)". "O desemprego alcançou níveis nunca vistos. Cerca de 40% dos jovens não possui emprego", denunciou o líder socialista ao lembrar que o número total de desempregados pode chegar a um milhão, em um país de 10,5 milhões de habitantes. Em resposta às críticas feitas por Passos Coelho, Seguro sustentou que a "alternativa" que seu partido propõe é "rigor orçamentário com crescimento", mas não deu detalhes concretos sobre sua aplicação. EFE ecs/apc/ff (foto)








