Putin esvazia desfile do Dia da Vitória e expõe fragilidade da Rússia em guerra com a Ucrânia
Ataques ucranianos vêm causando danos significativos à infraestrutura de petróleo e gás da Rússia
Internacional|Nathan Hodge, da CNN Internacional
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O desfile do Dia da Vitória, em 9 de maio, na Praça Vermelha, em Moscou, é o evento principal para o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Todos os anos, o país promove uma demonstração de poder militar que exibe suas armas mais impressionantes, incluindo mísseis e tanques de última geração. Neste ano, porém, o desfile promete ser bem mais discreto.
No fim da noite de terça-feira (28), o Ministério da Defesa da Rússia anunciou que o evento contará com uma coluna de tropas de academias militares e das Forças Armadas marchando a pé. Mas, rompendo com o padrão recente, o ministério afirmou que nenhum equipamento militar passará diante do mausoléu de Lenin neste ano.
“Devido à atual situação operacional, alunos das Escolas Militares Suvorov e das Escolas Navais Nakhimov, bem como os corpos de cadetes e uma coluna de equipamentos militares, não participarão do desfile militar deste ano”, afirmou o comunicado.
Não é preciso muito esforço de “kremlinologia” para entender o que significa a expressão “situação operacional atual”. O Exército russo parece estar perdendo terreno na Ucrânia, ao contrário das alegações da cúpula militar de Moscou; ataques ucranianos vêm causando danos significativos à infraestrutura vital de petróleo e gás da Rússia; e ataques com drones lançados por Kiev já chegaram a interromper a vida na capital russa.
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Questionado na quarta-feira sobre os planos para o desfile e se os equipamentos seriam necessários na linha de frente, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, apresentou uma interpretação um pouco diferente, afirmando que Moscou enfrenta uma “ameaça terrorista” vinda de Kiev.
“Estamos falando de uma situação operacional”, disse ele. “O regime de Kiev, que está perdendo terreno no campo de batalha todos os dias, agora lançou um ataque terrorista em larga escala. E, nesse contexto de ameaça terrorista, é claro que todas as medidas estão sendo tomadas para minimizar o perigo. O desfile vai acontecer, mas não podemos esquecer que, no ano passado, foi um desfile comemorativo. Um desfile em grande escala, como deve ocorrer em uma data significativa. Esta data não é um aniversário, mas o desfile ainda assim será realizado, embora em formato reduzido.”
A Rússia vem reduzindo o desfile do Dia da Vitória desde a invasão em larga escala da Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022. Em 2022 e 2023, o tradicional sobrevoo de aeronaves militares foi cancelado; já o desfile de 2024 contou com apenas um tanque, um T-34 da Segunda Guerra Mundial.
Mas, como observou Peskov, o desfile do Dia da Vitória do ano passado, que marcou os 80 anos da vitória da União Soviética sobre a Alemanha nazista, foi um evento de gala. Putin presidiu um desfile que exibiu equipamentos como o Geran-2, a versão russa do drone iraniano Shahed, e recebeu líderes aliados, incluindo o presidente chinês, Xi Jinping.
O Ministério da Defesa russo informou que o desfile do próximo mês terá um elemento tradicional de destaque: equipes de acrobacia aérea sobrevoarão a Praça Vermelha, com aeronaves de ataque ao solo Su-25 desenhando o tricolor russo no céu de Moscou. Ainda assim, o desfile reduzido ocorre em um momento delicado para Putin.
Nas últimas semanas, o descontentamento veio à tona na Rússia após uma onda de interrupções na internet que tornaram a vida mais difícil na capital e em outras regiões. As quedas no serviço — que, segundo as autoridades russas, são necessárias por razões de segurança — provocaram raras críticas públicas à liderança do país.
Ataques repetidos da Ucrânia à refinaria de petróleo de Tuapse, na costa russa do mar Negro, também evidenciaram a vulnerabilidade econômica de Moscou. Imagens do desastre ambiental em andamento também ressaltaram o que muitos consideraram uma resposta lenta das autoridades.
Outros alertas econômicos estão soando para o Kremlin. Na terça-feira, Elvira Nabiullina, presidente do Banco Central da Rússia, afirmou que o país enfrenta uma escassez de mão de obra sem precedentes.
“Nunca antes, na história da Rússia moderna, enfrentamos uma escassez de mão de obra como esta”, disse ela, segundo a agência estatal RIA Novosti. “Nunca tivemos nada parecido, e isso está impactando toda a situação econômica.”
A falta de trabalhadores na Rússia não surpreende. O país registrou uma onda de emigração — e uma grave fuga de cérebros — após o anúncio de uma mobilização militar parcial, em setembro de 2022. Além disso, Moscou tem tido dificuldades para recompor as fileiras do Exército diante das pesadas baixas na linha de frente da guerra na Ucrânia.
Em 2008, Putin explicou por que a Rússia estava trazendo de volta à Praça Vermelha o espetáculo de tanques e mísseis, na primeira grande exibição de armamentos desde o colapso da União Soviética.
“Isso não é bravata: não estamos ameaçando ninguém, não pretendemos fazê-lo, não estamos impondo nada a ninguém — temos tudo em abundância”, disse ele. “Esta é uma demonstração do crescimento de nossas capacidades de defesa. Somos capazes de proteger nosso povo, nossos cidadãos, nosso Estado e nossas riquezas.”
Se as Forças Armadas russas ainda são capazes de proteger a capital em meio a uma guerra prolongada e sangrenta contra a Ucrânia, isso agora parece uma questão em aberto.
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