RDC e rebeldes M23 assinarão acordo de paz na segunda-feira em Campala
Internacional|Do R7
Kinshasa, 8 nov (EFE).- O governo da República Democrática do Congo (RDC) assinará na próxima segunda-feira um acordo de paz em Campala com o grupo rebelde M23, que esta semana anunciou o abandono da luta armada após mais de um ano e meio de conflito com o Exército e com as forças da ONU. Segundo confirmou a Agência Efe o porta-voz do governo congolês, Lambert Mende, a assinatura do acordo será verificada por diferentes chefes de Estado da região dos Grandes Lagos, em cujas últimas reuniões esteve muito presente o conflito da RDC. Uma vez "rendido" o M23, o porta-voz pediu ao resto de grupos guerrilheiros que operam no país, como as Forças Democráticas para a libertação de Ruanda, que abandonem também as armas, já que caso contrário o Exército continuará lutando contra eles. O principal empecilho do acordo de paz que será assinado na segunda-feira está na anistia geral reivindicada pelos milicianos durante as conversas de paz anteriores. Fontes do governo que não quiseram se identificar disseram à imprensa que muitos deles não poderão ser indultados e deverão responder criminalmente por seus crimes de guerra. Os rebeldes do Movimento 23 de Março anunciaram o abandono das armas na terça-feira por meio de um comunicado oficial, pondo fim a mais de um ano e meio de combates que provocaram centenas de milhares de deslocados. O fim da rebelião chegou após uma ofensiva militar em grande escala lançada pelo Exército congolês para despejar os insurgentes de suas últimas bases, localizadas na conflituosa província oriental de Kivu do Norte. O governo congolês celebrou o fim das hostilidades como uma "vitoria militar inegável", e garantiu que assinaria a paz "cinco dias depois" de certificar a seriedade do compromisso do grupo, data que coincide com a próxima segunda-feira. O M23 se constituiu em 4 de abril de 2012, quando 300 soldados das Forças Armadas da RDC se sublevaram por supostos descumprimentos do acordo de paz de 23 de março de 2009, que dá nome ao movimento, e pela perda de poder do líder, Bosco Ntaganda, conhecido como "Terminator", atualmente processado pela Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra. Há quase um ano, em 20 de novembro, o grupo tomou a estratégica cidade de Goma, capital de Kivu do Norte (província fronteiriça com Ruanda e rica em minerais), o que motivou o deslocamento de centenas de milhares de pessoas. A RDC está imersa em um frágil processo de paz após a segunda guerra do Congo (1998-2003), que envolveu vários países africanos. EFE py-jmc/cd











