Reivindicação por dívidas se une à polêmica estadia do rei saudita na França
Internacional|Do R7
Paris, 4 ago (EFE).- A polêmica estadia na côte D'Azur francesa do rei Salman da Arábia Saudita, que fechou uma praia expressamente para sua diversão, foi acompanhada de uma reivindicação de pagamento de um médico francês, que lamentou que o monarca não tenha aproveitado suas férias para saldar suas dívidas. "Antes de ir embora, poderia ter pago a fatura de 3,7 milhões de euros. Um gesto de educação!", indicou em sua conta no Twitter o médico de urgências Patrick Pelloux, um dos mais célebres da França em sua especialidade. O problema, segundo disse nesta terça-feira Pelloux ao jornal "Le Parisien", "não é que uma pequena praia seja privativa", mas "riquíssimos chefes de Estado e pessoal diplomático" vão à França para se tratar e não pagam suas contas. Esse número, segundo precisou à Agência EFE a entidade que representa os hospitais de Paris, AP-HP, se limita só aos centros da capital francesa e engloba a dívida acumulada no total por cidadãos sauditas, a embaixada e empresas desse país nos últimos anos. A lista de inadimplentes, segundo disse esse organismo no começo de julho, é liderada pela Argélia, com 31,6 milhões de euros, Marrocos (11 milhões de euros) e Estados Unidos (5,7 milhões de euros), seguidos pela Arábia Saudita em sétimo lugar, de um total de 118,6 milhões até o final de 2014. Reivindicar esse tipo de faturas a um Estado estrangeiro, segundo o "Le Parisien", implica na mediação do Ministério de Exteriores da França, o que poderia levantar suscetibilidades e dificulta a recuperação do dinheiro. O jornal lembra que Paris e Riad assinaram no final de junho, ao término de uma comissão conjunta de acompanhamento franco-saudita, acordos no valor de 10,8 bilhões de euros, por isso que esses 3,7 milhões são "uma gota de água". Salman bin Abdul Aziz, que chegou ao aeroporto de Nice em 25 de julho para se instalar em uma mansão de sua propriedade próxima a Cannes, deixou a França no domingo, junto com grande parte de seu cortejo de cerca de mil acompanhantes. Não está descartado que o rei saudita, que tinha previsto permanecer na França até 20 de agosto, tenha encurtado suas férias pela polêmica gerada pelo fechamento da praia, mas este extremo não foi confirmado nem pelo governo francês e nem pela diplomacia saudita. EFE mgr/ff








