Rubio responde carta de Flávio e mantém críticas que embasam possível tarifaço ao Brasil
Secretário de Estado agradece pedido para evitar sobretaxas, mas afirma que persistem divergências comerciais entre os dois países
Internacional|Augusto Fernandes, do R7, em Brasília
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O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, respondeu a uma carta enviada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em que o parlamentar pedia ao governo americano que desistisse de aplicar novas tarifas sobre produtos brasileiros. No documento, Rubio reafirma as críticas comerciais feitas pelos EUA ao Brasil e não sinaliza qualquer recuo em relação às sobretaxas em análise.
Neste mês, a equipe econômica do governo americano propôs duas sobretaxas adicionais a produtos importados do Brasil: uma de 25%, sob a justificativa de que práticas comerciais brasileiras seriam desleais em áreas como comércio digital, pagamentos eletrônicos, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e combate ao desmatamento ilegal; e outra de 12,5%, por suposta falha do Brasil no enfrentamento ao trabalho forçado.
As medidas ainda não entraram em vigor. A expectativa é que o governo dos Estados Unidos decida, na primeira quinzena de julho, se aplicará as tarifas. Até lá, representantes do governo brasileiro buscam negociar para evitar a adoção das taxas.
Na resposta a Flávio, Rubio lembra que o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, concluiu que determinadas políticas e práticas brasileiras “são injustificáveis ou discriminatórias e impõem obstáculos ou restrições ao comércio dos Estados Unidos”.


Ele afirma ainda que permanecem “diferenças significativas” entre os dois governos para resolver os temas levantados na investigação. Entre eles, cita comércio digital, serviços de pagamentos eletrônicos, tarifas preferenciais consideradas injustas, aplicação das normas anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
Rubio também informa que qualquer interessado no Brasil poderia participar da consulta pública aberta pelo governo americano sobre as medidas propostas, além de uma audiência pública realizada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos.
O governo brasileiro criticou publicamente a proposta de sobretaxas e passou a atribuir parte da responsabilidade a Flávio, destacando que o senador esteve na Casa Branca e se reuniu com o presidente Donald Trump na semana anterior ao anúncio das medidas. Flávio nega ter incentivado qualquer sanção e afirma que, durante o encontro, pediu ao presidente americano que não taxasse os produtos brasileiros.
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Eleições
Na carta enviada a Rubio no início do mês, Flávio afirmou estar confiante de que será eleito presidente da República nas eleições de outubro.
O secretário americano também respondeu a esse tópico e disse que os Estados Unidos estão prontos para trabalhar com os líderes escolhidos pelo povo brasileiro.
“Registramos seu otimismo em relação às eleições de outubro e sua generosa oferta de colocar uma equipe de transição à nossa disposição caso seja eleito. Os Estados Unidos estão prontos para trabalhar de forma cooperativa com os líderes escolhidos pelo povo brasileiro para promover um amplo marco de comércio e investimentos que seja justo e mutuamente benéfico.”
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