Rula Hroub, a jordaniana que venceu os homens nas urnas
Internacional|Do R7
Abdul Khalil Mustafa. Amã, 14 fev (EFE).- A jornalista Rula Hroub trocou os estúdios de televisão pelo plenário do Parlamento da Jordânia após conseguir a façanha de se tornar uma das primeiras mulheres do país a ser eleita em disputa contra candidatos masculinos. Em uma sociedade pouco acostumada a ver mulheres em cargos políticos, Rula, de 45 anos, é uma das três mulheres a conseguir uma cadeira na câmara baixa fora das 15 reservadas à cota feminina. Usando jaqueta e calças escuras, a jordaniana de origem palestina recebeu a Agência Efe em seu escritório na rede de televisão "Josat TV", que pertence a seu marido, Riad Hroub. Apesar de sua conquista, ela opina que ainda é cedo para pensar em suprimir a cota feminina, porque antes é preciso empreender outras reformas. "Acho que ainda é cedo para cancelar o sistema de cotas (para mulheres), que poderia ser discutido mais adiante, após a adoção de uma lei eleitoral democrática de verdade", afirma a jornalista, que também é doutora em psicologia educacional. Rula Hroub se tornou popular apresentando um programa de debate no canal de seu marido e agora quer tornar realidade os sonhos de reforma de seus compatriotas com seu trabalho na câmara baixa do Parlamento. Durante a entrevista, seu telefone não parava de tocar com ligações de cidadãos que pedem ajuda sobre os assuntos mais diversos, como a de uma mãe que quer justiça pelo assassinato de seu filho. Apesar da confiança depositada por muitos jordanianos, Rula se mostrou pessimista sobre a possibilidade de a nova câmara ser capaz de realizar essas mudanças. "Há alguns deputados entusiastas que chegaram à câmara baixa com os sonhos dos eleitores, mas a maioria dos parlamentares foi escolhida com base na maneira tradicional, que não permite mudanças reais", reconheceu. Segundo os resultados das eleições realizadas em 23 de janeiro, o Parlamento, com 150 cadeiras, será dominado por deputados de base tribal, tradicional base de apoio do rei Abdullah II, embora a fragmentação dos votos tenha complicado a formação de maiorias. Rula, que se define como liberal, concorreu ao pleito pela chapa "Jordânia mais forte", que apresentou dez candidatos, dos quais apenas dois conseguiram ser eleitos. Para ela, que não usa véu islâmico, as autoridades manipularam os resultados da apuração e forneceram fundos para a compra de votos. Nesse sentido, a parlamentar lembra que os cinco candidatos acusados de fazerem parte desse suposto esquema também foram eleitos. Rula Hroub também questiona o dado oferecido pela Comissão Eleitoral Independente quanto à participação dos eleitores (56%), que, segundo sua opinião, foi menor. Por esses motivos, a jornalista acha justificado o boicote ao principal grupo opositor, a Irmandade Muçulmana. "As irregularidades me levaram a concluir que aqueles que boicotaram as eleições pelas dúvidas sobre sua clareza podem estar certos", destacou. Nesse sentido, Rula antecipou que, como deputada, tem como prioridade emendar a lei eleitoral e de partidos, embora não esteja na agenda das sessões da nova câmara, que será inaugurada no próximo domingo pelo rei Abdullah II. Para ela, é complicado formar um governo com uma maioria parlamentar, como prometeu o monarca, pela fragmentação dos votos nas eleições e a ausência de blocos fortes na câmara. Apesar das tentativas de criar blocos parlamentares, "a maioria segue interesses pessoais, em vez de princípios e programas. Ainda existem forças contra as reformas. No entanto, como a maioria dos deputados é consciente de que a etapa atual é crucial, pode ser que respondam aos desafios históricos e à pressão das ruas para que haja reformas", declarou. Sobre as últimas tentativas de alguns manifestantes de derrubar a monarquia, Rula Hroub disse que eles foram encorajados pelo fracasso dos governos anteriores e dos assessores do monarca na tentativa de implementar a visão do rei de realizar reformas. "Nosso rei é um monarca liberal pioneiro em iniciativas", disse. "Desde sua ascensão ao trono, ele declarou que quer a rotação dos partidos políticos no poder", acrescentou. Mesmo assim, "de tempos em tempos, há pessoas que conspiram e frustram as iniciativas do rei", advertiu. EFE ajm-ssa/cs/id








