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Rússia respeita resultado de referendo pró-Moscou e quer diálogo na Ucrânia

O plebiscito não foi reconhecido por Kiev nem pelos países do Ocidente

Internacional|Do R7

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No domingo (11), milhares de pessoas foram às urnas nas regiões do leste da Ucrânia
No domingo (11), milhares de pessoas foram às urnas nas regiões do leste da Ucrânia

A Rússia anunciou nesta segunda-feira (12) que respeita o resultado dos polêmicos referendos nos quais regiões do leste pró-Moscou da Ucrânia se pronunciaram de maneira ampla a favor da independência e defendeu um diálogo das autoridades ucranianas com os separatistas de Donetsk e Lugansk.

"Em Moscou, respeitamos a expressão da vontade dos cidadãos das regiões de Donetsk e Lugansk", afirma um comunicado do Kremlin.


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"Partimos do princípio de que a aplicação do resultado dos referendos acontecerá de maneira civilizada, sem mais violência, por meio do diálogo entre os representantes de Kiev, Donetsk e Lugansk", completa a nota.

Na região de Donetsk, os primeiros resultados apontam para quase 90% de apoio ao "Sim" à independência. A consulta não foi reconhecida por Kiev nem pelos países ocidentais. Uma fonte ligada aos rebeldes anunciou uma taxa de 75% de participação.


O resultado do referendo de independência na região vizinha de Lugansk deve ser divulgado nesta segunda-feira, mas as primeiras estimativas apontam para um resultado similar.

Várias detonações foram registradas na manhã desta segunda-feira em Slaviansk, reduto rebelde em Donetsk.


A operação militar iniciada por Kiev em 2 de maio contra os separatistas teve prosseguimento na localidade de Andriivka, na entrada sul da cidade de 110 mil habitantes cercada pelas forças ucranianas, afirmou a porta-voz dos ativistas pró-Rússia em Slaviansk, Stella Jorosheva.

Os rebeldes pró-Moscou celebraram no domingo dois referendos sobre as declarações de independência das autoproclamadas "República Popular de Donetsk" e "República Popular de Lugansk".

As autoridades ucranianas e a comunidade internacional temem a reprodução de um cenário similar ao que levou, em março, à anexação da península da Crimeia à Rússia, após um referendo.

O presidente interino da Ucrânia, Olexander Turchynov, chamou nesta segunda-feira de "farsa" sem efeitos jurídicos os referendos.

"A farsa que os terroristas chamam de referendo é apenas um disfarce propagandístico dos assassinatos, sequestros, violência e outros crimes graves", declarou Turchynov no Parlamento.

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As autoridades de Kiev "continuarão dialogando com aqueles que no leste da Ucrânia não têm as mãos manchadas de sangue e estão dispostos a defender seus objetivos de maneira legal", completou.

O único "efeito legal" do referendo é levar à justiça os que o convocaram, disse o presidente interino.

Para buscar uma saída da crise, a Organização para a Cooperação e a Segurança na Europa (OSCE) nomeou nesta segunda-feira o veterano diplomata alemão Wolfgang Ischinger como mediador da organização na Ucrânia.

O presidente da OSCE, Didier Bulkhalter, afirmou que o governo ucraniano aceitou a proposta de mediação, durante uma reunião com os ministros das Relações Exteriores da UE em Bruxelas.

Mas a Rússia descarta a ideia de novas negociações internacionais sobre a Ucrânia se o diálogo não contar com os representantes das regiões separatistas do leste do país, declarou o ministro das Relações Exteriores, Serguei Lavrov.

"Voltar a reunir-se a quatro partes não faz sentido", declarou Lavrov ao ser questionado sobre a possibilidade de uma nova rodada de negociações entre Rússia, Ucrânia, União Europeia e Estados Unidos, como a celebrada em abril em Genebra.

Kiev pretende manter a eleição presidencial antecipada de 25 de maio e acusa Moscou de tentar impedir a votação.

Os rebeldes, que não aceitam as eleições, chamam de "fascista" o governo provisório, que assumiu o poder após a queda do presidente pró-Rússia Viktor Yanukovytch no fim de fevereiro.

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