Santa Maria se despede das vítimas enquanto a polícia interroga os envolvidos
Internacional|Do R7
Manuel Pérez Bella. Santa Maria (Brasil), 28 jan (EFE).- A cidade de Santa Maria sepultou nesta segunda-feira cerca de metade das vítimas do incêndio da boate Kiss, na qual no domingo morreram 231 jovens, enquanto a polícia deteve quatro pessoas investigadas pela pior tragédia desse tipo nos últimos 50 anos no Brasil. Os moradores desta cidade de 261 mil habitantes no Rio Grande do Sul se despediram, em um ambiente de comoção e indignação, de parte de uma geração, já que quase todas as vítimas eram jovens estudantes com 20 anos de idade em média. As dilaceradoras cenas de dezenas de pais sepultando seus filhos e de procissões silenciosas de caixões se repetiram ao longo do dia no Cemitério Ecumênico Municipal e no Parque Jardim Santa Rita, assim como em algumas cidades vizinhas. Nas comoventes despedidas também estiveram centenas de amigos e colegas dos estudantes, em uma cidade que se destaca por ser um polo universitário e na qual muitos moradores tinham um familiar ou conhecido para dar hoje o seu adeus definitivo. "Sabemos que podia ter sido qualquer um de nós. Não há uma pessoa que não esteja estremecida em Santa Maria", disse à Agência Efe Cléber Lotes, médico que trabalha como voluntário para atender os familiares das vítimas. Das 231 vítimas fatais 101 estudavam na Universidade Federal de Santa Maria, assim como a maioria dos mais de 100 feridos, que tinham ido à boate para participar de uma festa de confraternização de faculdades. A situação mais dramática foi a das famílias que tiveram que despedir-se de até dois membros. Os irmãos Marcello e Pedro Salla, de 20 e 17 anos, estudantes de Direito e Agronomia, e despedidos em cerimônia da qual participaram vários companheiros, ficaram presos na boate após ter conseguido entradas para a festa na última hora. A dor em dobro também foi sentida pela família Farias Brissow, que se despediu das irmãs Andressa Thalita e Louise. Outra despedida comovente foi a do soldado Leonardo de Lima Machado, de 26 anos, que foi enterrado com honras militares porque, após sair ileso da boate, retornou ao local em duas ocasiões para ajudar outras pessoas. "Tirou sua namorada; a deixou na calçada e voltou a entrar para ajudar outros", explicou à Efe o cabo Gilmar Geison Buscher, companheiro no primeiro regimento de carros de combate do Exército do soldado que hoje foi enterrado como herói. A comoção reina em Santa Maria desde a madrugada do domingo e a indignação também, apesar de a polícia já ter prendido quatro das pessoas que investiga como possíveis responsáveis pela tragédia. Trata-se dos dois proprietários da boate e de dois dos músicos que se apresentavam no momento em que começou o incêndio. O delegado Sandro Meinerz, responsável pela investigação, solicitou a detenção provisória dos quatro para garantir seu trabalho, já que teme a ocultação de provas após o desaparecimento dos computadores que guardam as imagens das câmeras de segurança da boate. Um dos proprietários, Elissandro Spohr, foi detido na cidade vizinha de Cruz Alta, onde, segundo seu advogado, tinha viajado para ser atendido em um hospital com sintomas de intoxicação respiratória por medo de permanecer em Santa Maria. O outro proprietário, Mauro Hoffmann, foi detido após apresentar-se na delegacia de Santa Maria à tarde e depois que a polícia fracassou em diferentes operações para localizá-lo. Também foram detidos dois integrantes do grupo Gurizada Fandangueira, a banda à qual se atribui a origem do incêndio. Ambos foram detidos em uma cidade vizinha para onde foram despedir-se do acordeonista da banda, Danilo Jaques, que morreu no incêndio. Segundo relatos de sobreviventes, o incêndio começou quando um integrante do grupo acendeu um efeito pirotécnico cujas faíscas atingiram a espuma utilizada como isolante acústico no teto de todo o estabelecimento. O músico apontado como o causador do incêndio negou que tenha sido o responsável pela tragédia, disse hoje em entrevista coletiva o delegado da Polícia Civil, Marcelo Arigony. O chefe policial manifestou que o artista, cuja identidade não foi revelada, "não assumiu a culpa em suas declarações" de hoje perante a polícia. EFE mp/rsd (foto) (vídeo)









