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Sem apoio no Congresso, Obama apela para o corpo a corpo popular

O primeiro teste do líder é manter benefícios fiscais para classe média

Internacional|Fábio Cervone, colunista do R7

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Obama chora durante agradecimento aos voluntários da campanha eleitoral: apelo popular
Obama chora durante agradecimento aos voluntários da campanha eleitoral: apelo popular

O recém reeleito presidente dos EUA, Barack Obama, terá pelos próximos quatro anos a difícil tarefa de governar sem maioria na Câmara dos Representantes (equivalente à Câmara dos Deputados). Para conseguir aprofundar seus projetos, sobretudo em temas sensíveis como os impostos, Obama está apelando para a pressão popular como a melhor estratégia para reverter a desvantagem legislativa.

Em menos de dois meses, o democrata vai enfrentar seu primeiro grande teste: o Congresso votará a extensão dos benefícios fiscais aplicados no primeiro mandato. Se a medida for derrubada, como planejam os republicanos, vai ser um baque sobre a classe média, que ainda tenta se recuperar da crise.


A Câmara dos Representantes continuará nos próximos quatro anos com maioria republicana (234 deputados do “velho partido” contra 194 democratas).

Após a vitória eleitoral, o presidente dos EUA não perdeu tempo e gastou cada minuto de exposição na mídia para sensibilizar os cidadãos sobre a manutenção do benefício tributário para a classe média.


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De acordo com as cifras oficiais, 114 milhões de famílias americanas desfrutam da redução de impostos, sendo que, aqueles com renda anual de até R$ 100 mil (US$ 50 mil) economizaram aproximadamente R$ 7. 200 (US$ 3.600) em impostos federais.


Neste mesmo sentido, ele defendeu o aumento das taxas para os americanos que ganham mais de meio milhão de reais (US$ 250 mil) ao ano, como forma de compensação na queda da arrecadação total.

Assim, toda a máquina midiática democrata foi acionada. O raciocínio do partido é simples: se a opinião pública fizer barulho, os congressistas não poderão ignorar o apelo e terão que ceder de alguma forma para não perderem futuros votos. Na coletiva da sexta-feira (9), Obama não poderia ter sido mais claro:

— Esse debate (redução de impostos para a classe média e aumento para os ricos) pode ficar preso em Washington ou pode contar com a participação dos seus amigos e vizinhos.

O presidente literalmente convidou os cidadãos a se envolverem no processo. Em outras frentes, links e frases foram tuitadas, vídeos postados e até a Casa Branca utilizou sua enorme lista de contatos para encaminhar um e-mail com o título “What’s next” (“O que vem pela frente”, em tradução livre), para instigar a população.

Abrindo com esta frase, o panfleto eletrônico cativa a lembrança da recente e bem sucedida conquista eleitoral, enquanto introduz um novo desafio, o de manter os benefícios fiscais, mas com empenho popular.

“Os próximos 53 dias (contagem até o prazo final de votação no congresso) são cruciais. Este é o tempo que Washington tem para se unir e impedir o aumento dos impostos para 114 milhões de famílias da classe média”, diz o comunicado.

Na realidade, Obama tenta utilizar em seu favor uma poderosa ferramenta que está acima das negociações corriqueiras dos congressistas. Renovado pelos resultados das urnas e investindo nas intervenções publicas em todos os canais, o presidente procura disseminar para a população comum o debate sobre as medidas fiscais atualmente em xeque.

De certa forma, ele quer criar uma conexão direta com seus cidadãos e eleitores, gerando senso de responsabilidade coletiva, trazendo a opinião pública para a discussão e, consequentemente, revertendo o jogo na Câmara de Representantes, onde os lobos estão à sua espreita.

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