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Senado dos EUA abre processo de debate sobre controle de armas

Internacional|Do R7

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María Peña. Washington, 11 abr (EFE).- O Senado dos Estados Unidos, sob controle democrata, abriu nesta quinta-feira o processo de debate e eventual votação de uma lei para melhorar o controle de armas de fogo no país e reduzir assim a violência que geram, após superar os impedimentos de vários líderes da oposição. Quase quatro meses depois do massacre na escola primária Sandy Hook, em Newtown (Connecticut), onde 20 crianças e seis adultos foram mortos, o Senado aprovou hoje uma moção, que deu sinal verde ao debate de medidas que farão parte da legislação final. Após superar o número mínimo de 60 votos, os senadores negociam os parâmetros do debate, que teria uma duração máxima de 30 horas, para depois proceder à votação definitiva. De início, o Senado debaterá uma proposta democrata, apoiada pela Casa Branca e que, entre outros elementos, propõe criar um sistema de revisão de antecedentes penais para os compradores de armas, fortalecer as normas vigentes contra o tráfico de armas e aumentar os fundos para a segurança nas escolas públicas. "O trabalho duro começa agora", disse o líder da maioria democrata do Senado, Harry Reid, agradecendo o apoio dos 16 senadores republicanos, entre eles John McCain, que permitiram abrir o debate. Só dois senadores democratas votaram contra, Mark Begich, do Alasca, e Mark Pryor, de Arkansas, que enfrentarão uma luta por sua reeleição em novembro de 2014. Entre os republicanos contrários à moção figuraram o líder da minoria no Senado, Mitch McConnell; Marco Rubio, da Flórida; Ted Cruz, do Texas; e Jeff Sessions, do Alabama. Reid deu garantias de que poderão ser apresentadas emendas à legislação, incluindo as relacionadas com a proibição das armas de assalto e de carregadores longos, além da ampliação do acesso aos serviços de saúde mental. O Senado também debaterá uma emenda que inclui o acordo bipartidário anunciado na quarta-feira por dois senadores, essencial para o debate: o democrata Joe Manchin, da Virgínia Ocidental, e o republicano Pat Toomey, da Pensilvânia, assegurou Reid. Esse acordo, ao qual se opõe a influente Associação Nacional do Rifle, ampliaria a revisão de antecedentes às vendas pela internet e em feiras de armas, mas proíbe taxativamente a criação de um "registro nacional" de donos de armas. Reid advertiu que seria "uma vergonha" se alguns líderes do Senado tentassem boicotar as emendas com as quais não estivessem de acordo. "Não podemos permitir que uns poucos senadores arruínem (o processo) para todos", enfatizou Reid. O presidente Barack Obama jantou na noite de quarta-feira com vários senadores na Casa Branca, como parte de seus esforços para que a Câmara Alta aprove uma reforma migratória integral, medidas para o controle das armas e outros assuntos prioritários de sua agenda para este ano. Durante sua costumeira entrevista coletiva diária, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, assinalou que o que até agora foi possível no Senado para reduzir a violência gerada pelas armas reflete o trabalho dos legisladores envolvidos nas negociações. "Não chegamos à meta em nenhuma destas áreas ainda. Precisamos continuar pressionando para que o Congresso se mobilize, e com sorte produza legislação que seja apoiada pelo povo americano, que o Congresso a vote e o presidente a possa assinar", assinalou Carney. O Escritório de Gestão e Orçamento (OMB, em inglês) da Casa Branca disse em comunicado que as medidas perante o Senado são "soluções de bom senso" que, contrário à opinião de seus críticos, "não violam os direitos" consagrados na Segunda Emenda da Constituição para a posse de armas. As medidas que saírem do Senado, no entanto, vão enfrentar uma luta na Câmara dos Representantes (Deputados), sob controle republicano. Mesmo assim, o voto de procedimento foi uma vitória para grupos a favor do controle de armas e para os familiares das vítimas do massacre em Newtown, vários dos quais hoje mesmo concluíram seus atos de pressão no Senado. Nesta quinta-feira, o National Mall de Washington se transformou em um pequeno cemitério simbólico com 3.300 cruzes de madeira, uma para cada vítima causada pela violência armada nos EUA desde o massacre na escola primária. Uma pesquisa do jornal "Wall Street Journal" e da rede "NBC News" destacou hoje que 55% dos americanos apoiam medidas mais estritas para o controle de armas, 9% as preferem menos estritas e 36% apoiam que se mantenham sem mudanças ou não deram sua opinião. EFE mp/ma (foto)

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