Síria lembra ao mundo o drama dos refugiados, mais de 16 milhões em 2013
Internacional|Do R7
Marta Rullán. Redação Central, 24 dez (EFE).- A tragédia síria alertou o mundo sobre o drama dos refugiados, cujo número aumentou tragicamente em 2013, quando mais de 16 milhões de pessoas deixaram seus países devido à guerra, à fome e às catástrofes naturais. Em meados de novembro, 2,2 milhões de sírios tinham fugido de uma guerra civil que deixou mais de 100 mil mortos, em um êxodo em massa que foi duplicado em apenas seis meses e que ameaça ser triplicado no começo do próximo ano, segundo os últimos dados da ONU. Só no primeiro semestre de 2013, o número de sírios que abandonaram seus lares (1,1 milhão) igualou o número total de pessoas exiladas em 2012 no mundo todo, o que situa a crise da Síria como o fator mais determinante para o deslocamento de pessoas em nível mundial. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) alertou, além disso, sobre o elevado número de crianças entre os refugiados sírios, pois já são 1,2 milhão os menores de 18 anos e deles, 75% têm menos de 12 anos. Cerca de 3.700 crianças sírias vivem no Líbano e na Jordânia sem nenhum de seus pais, carregando "cicatrizes físicas e emocionais" e "expostos a abusos, exploração e recrutamento", segundo o último relatório do Acnur, que assegura que a maioria dos nascidos nos campos de refugiados carece de certificado oficial de nascimento. Além do Líbano e Jordânia, Turquia, Iraque e Egito acolhem, com enorme esforço e poucos recursos, 96% dos refugiados sírios, alguns dos quais chegaram também à Europa ou morreram na tentativa de atravessar o Mediterrâneo nas mesmas embarcações nas quais subsaarianos e norte-africanos buscam também um futuro melhor. A tragédia de Lampedusa em 3 de outubro, quando morreram 366 pessoas em um naufrágio junto a essa ilha italiana, foi manchete na imprensa internacional e escandalizou o mundo inteiro, mas não deteve os que arriscam sua vida a cada dia escapando da violência e da fome. Os que morreram nessa embarcação eram eritreus, mas também cruzam o mesmo mar peticionários de asilo e emigrantes de Mali, Níger, Somália, Etiópia, Nigéria, Gana e Sudão, aos quais se somaram nos últimos meses os procedentes de Líbia, Egito e Síria. Especialmente crítica é a situação na Etiópia, onde há cerca de 240 mil refugiados somalis, assim como 73 mil eritreus, 62 mil sul-sudaneses e 30 mil sudaneses; e no Quênia, com cerca de 500 mil, a maioria deles somalis hospedados no maior campo de refugiados do mundo, o de Dadaab, junto à fronteira com a Somália. A guerra e a fome são as principais causas do enorme deslocamento humano nessa parte da África, que também atinge a Ásia, como as 62 mil pessoas que arriscaram sua vida em 2013 na busca de refúgio cruzando o perigoso Golfo de Áden, o reino das piratas. Esta rota, uma das mais importantes quanto ao fluxo de migração, é também uma das mais fatais, com travessias organizadas por grupos de traficantes que prometem chegar à costa do Iêmen, onde os somalis recebem automaticamente o status de refugiados e ponto de convergência rumo aos ricos países do Golfo Pérsico. Na América, com a porcentagem mais baixa do total de refugiados e deslocados em 2012, a Colômbia continua sendo o país do onde mais pessoas escapam e onde o conflito armado forçou o deslocamento de 4,7 milhões de pessoas desde 1997. Os colombianos buscaram abrigo no Panamá, na Venezuela e, sobretudo, no Equador, cuja fronteira foi cruzada por mil pessoas por mês em 2013, apesar de cada dia ser mais difícil conseguir o asilo político nesse país, no meio das expectativas do diálogo aberto entre o Governo e a guerrilha. EFE mr/ff/ma










