Sob ameaça de terremoto, brasileiro arrisca a vida para cuidar de crianças carentes no Nepal
"Eles são minha família", diz psicólogo Emerson Menegassi
Internacional|Marta Santos, do R7

“Olha, eu estou preparado para morrer, só quero que você saiba que eu amo você e os nossos filhos”. Foi assim que o brasileiro Emerson Menegassi, que vive com a família há nove anos do Nepal, se despediu de sua mulher, Rosilane, após uma conversa na noite da última terça-feira (12). Ela e os três filhos do casal voltaram para o Brasil esta semana, mas o psicólogo resolveu ficar na capital nepalesa, Katmandu, que foi devastada por um terremoto no dia 25 de abril, mesmo diante da possibilidade de novos tremores.
Menegassi trabalha ajudando meninos carentes no país: “Eles são da família”. Foi por esses meninos que o brasileiro optou por não acompanhar a família e arriscas a própria vida, permanecendo no país asiático.
— A minha casa está silenciosa, meio vazia, eu não estou acostumado a isso. Mas sabendo que eles estão a salvo, eu fico mais tranquilo e pronto para ajudar a quem precisa. Eu quis ficar com os meninos pela necessidade que eles têm de ter a gente aqui, porque eles se sentem seguros assim.
Leia aqui o relato de Rosilane sobre o terror que viveu com família durante o terremoto no Nepal
A história da família Menegassi no Nepal começou em 2006. Na época, o casal tinha apenas dois filhos, Aysha, 16 anos, e Euclydes, 12 anos. Yohannes, o caçula, nasceu no Nepal e tem seis anos. Eles deixaram o Brasil com o plano de trabalhar com projetos sociais. Três anos depois, eles fundaram projeto Meninos do Nepal, em Katmandu, que oferece moradia e assistência a meninos órfãos ou carentes.
— Nós ouvimos falar um pouco sobre o Nepal e resolvemos que vir para cá para contribuir, de alguma forma, com o desenvolvimento da comunidade nepalesa.
No país, existem 37 grupos étnicos, que se dividem em subgrupos, e falam mais de cem dialetos, além dos estrangeiros. Na casa dos Meninos do Nepal é possível ver um pouco dessa diversidade.
— A gente pega meninos de diferentes grupos étnicos e de diferentes castas e os estimula a ter uma convivência harmônica. No Nepal, é um problema sério, uma casta não pode falar, se aproximar e, às vezes, nem passar por cima da sombra da outra.

Atualmente, Rosilane conta com 15 meninos nepaleses com idades que variam de dez a 17 anos moram no local, estudam em uma escola particular e fazem aulas de musica, caratê e natação.
— O objetivo é que eles consigam completar a faculdade. Nós queremos formar agentes de transformação da nação. Um deles quer ser psicólogo, ele me falou que quer ajudar o povo dele a mudar a mentalidade.
Após o primeiro terremoto que atingiu o país este ano, no dia 25 de abril, a casa que abriga os meninos ficou um pouco danificada, mas a estrutura não foi comprometida. Agora, depois de um segundo tremor ter sido sentido nesta terça-feira, os meninos estão dormindo do lado de fora, em uma quadra de futebol de salão, e aguardam uma nova avaliação da estrutura do local, explica Emerson.
— Alguns prédios caíram esta semana porque já estavam comprometidos desde o primeiro terremoto. Durante a madrugada de quarta-feira (13), eu sai de casa umas cinco vezes por causa dos tremores contínuos.
Saudade vai durar pouco
A família Menegassi decidiu em conjunto que a separação seria o melhor para todos, tanto para garantir a segurança dos filhos do casal quanto para manter o cuidado com os Meninos do Nepal, mas o pai revela que, apesar de a família ter viajado há poucos dias, lidar com a distância não está sendo fácil.
— É claro que eu queria estar com eles agora e sinto falta deles a todos o momento, mas nós sabemos que tomamos a decisão certa.
Para sorte de Menegassi, a saudade da família não deve durar muito tempo. Rosilane e os filhos já estão com passagem comprada para voltar ao Nepal no dia 8 de julho. A família planeja se mudar para a Nova Zelândia e diz que fará um plano de revezamento de viagens para continuar a cuidar dos Meninos do Nepal.
“Nós somos uma família, vivemos como família e sempre cuidaremos uns dos outros”, afirma o casal.
Abaixo, assita à conversa emocionante entre Menegassi e a família gravada pelo R7:












