Socialistas portugueses tramitam sua primeira moção de censura no Parlamento
Internacional|Do R7
Lisboa, 28 mar (EFE).- Os socialistas portugueses entregaram nesta quinta-feira ao Parlamento a documentação necessária para apresentar sua primeira moção de censura ao governo conservador, cuja maioria absoluta deve ser suficiente para superá-la sem problemas. A moção anunciada pelo principal grupo da oposição em Portugal, que será debatida no Parlamento na semana que vem, reflete o clima de divisão política no qual vive o país durante os últimos meses. Tanto social-democratas como democrata-cristãos, que juntos formam a aliança conservadora que governa o país, tacharam esta iniciativa de "irresponsável" e "pouco respeitosa" com a democracia. Em qualquer caso, os conservadores lusos contam com 132 deputados sobre um total de 230 cadeiras, o que em princípio garante que poderão superar a moção de censura sem maiores dificuldades. O Partido Socialista (PS) justificou sua decisão por considerar que Portugal "necessita de um novo governo e de uma nova política urgentemente", mais focada no crescimento econômico e que ponha fim à austeridade. "O Executivo continua cada vez mais isolado, viola suas promessas eleitorais, não tem autoridade política, é incapaz de escutar e mobilizar os portugueses, falha nos resultados, não acerta em suas previsões, nega a realidade e não admite a necessidade de mudar sua política de cortes", afirma o texto entregue ao Parlamento. Na opinião dos socialistas, a queda do atual governo conservador é "uma saída democrática para sair da crise e devolver a palavra aos cidadãos". Esta moção de censura - a primeira apresentada pelo PS, mas a quarta que enfrenta o atual Executivo desde que chegou ao poder em junho de 2011 - choca com o consenso existente entre os dois grandes partidos até poucos meses atrás. De fato, esta ruptura contrasta também com o último ditame da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional, que em sua sétima visita trimestral a Portugal para controlar a execução do programa de ajustes estipulado em troca de seu resgate financeiro voltaram a louvar o "consenso" em nível político e social. Os socialistas, que assinaram as condições deste resgate pouco antes de perder as eleições de 2011, endureceram notavelmente nos últimos meses seu discurso contra as medidas de austeridade no país. O PS levou seus protestos inclusive à UE e ao FMI, apesar de os organismos terem concordado neste mês de março em conceder mais tempo a Portugal para aplicar novos ajustes e em alargar em um ano o prazo que dispõe para diminuir seu déficit público até colocá-lo abaixo de 3% do PIB. O país, que atravessa a pior crise de sua história recente, pode sofrer este ano outra queda de sua economia acima do 2% do PIB e espera que a taxa de desemprego siga batendo recordes até roçar 19%, de acordo com as mais recentes previsões oficiais.EFE otp/rsd














