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Terremotos na Venezuela servem de teste para aliança entre Trump e o chavismo

O pior desastre natural da Venezuela em décadas colocou à prova a aliança forçada do país com os Estados Unidos

Estadão Conteúdo

Internacional|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Os terremotos na Venezuela testam a aliança forçada com os EUA e complicam a campanha de Washington para transformar o país em um protetorado econômico.
  • O presidente Trump destaca a remoção de Maduro como um sucesso, redirecionando recursos venezuelanos para os EUA, mas os terremotos desafiam essa narrativa.
  • Os EUA, liderados por Marco Rubio, prometem assistência humanitária, mas não especificam a quantidade de recursos destinados ao socorro.
  • Delcy Rodríguez enfrenta desafios para atender às expectativas econômicas e pressões por mudanças políticas em meio a um esforço de reconstrução pós-desastre.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Aliança entre Estados Unidos e Venezuela vai enfrentar desafios com terremoto Montagem R7: Daniel Torok/Official White House Photographer - 04.03.2025; Leonardo Fernandez Viloria/Reuters - 10.03.2025

O pior desastre natural da Venezuela em décadas colocou à prova a aliança forçada do país com os Estados Unidos e criou um obstáculo trágico e inesperado na campanha de Washington para transformar o país em um protetorado econômico.

O presidente Trump tem exaltado a operação militar que removeu o ditador venezuelano, Nicolás Maduro, do poder como um sucesso absoluto, o qual redirecionou o fluxo de petróleo e ouro venezuelanos para os Estados Unidos.


O impacto humanitário dos terremotos sucessivos que atingiram a Venezuela na noite de quarta-feira, bem como a reconstrução que se segue, testarão se sua administração estará disposta a apoiar uma suposta aliada com fundos de socorro e políticas de assistência ao país.

“Independentemente de qualquer coisa, os Estados Unidos sempre responderam a crises humanitárias, especialmente em nosso próprio continente”, disse o secretário de Estado Marco Rubio a repórteres na quinta-feira. “É nisso que estamos focados agora.”


Rubio afirmou que havia conversado com a líder venezuelana, Delcy Rodríguez, e acrescentou que equipes de resgate da Virgínia e da Califórnia ajudariam nas buscas por sobreviventes. “O Departamento de Defesa ajudará a entregar a ajuda”, disse ele.

Rubio, que ajudou a extinguir a agência de ajuda do Departamento de Estado no ano passado, não informou quanto dinheiro os EUA destinariam ao socorro humanitário.


O secretário de Estado afirmou que os terremotos representavam um “revés” para o plano de várias etapas de Washington para recuperar a economia moribunda da Venezuela e garantir eleições democráticas. “São coisas que não se planejam”, disse ele. “Acredito que a Venezuela sairá mais forte disso.”

Após a queda de Maduro, Washington pressionou Rodríguez a reformular as leis de petróleo e mineração para atrair investimentos ocidentais. O Tesouro dos EUA também estabeleceu um sistema de pagamento que concentrou a administração das receitas de exportação da Venezuela nas mãos do governo americano, conferindo a seus funcionários um papel direto e crucial no socorro às vítimas do terremoto.


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Os desafios enfrentados por Rodríguez para atender às expectativas da população quanto a um boom econômico após a queda de Maduro já vêm desgastando sua popularidade. Seu índice de aprovação caiu para 25% em maio — a terceira queda mensal consecutiva —, segundo uma pesquisa online.

O crescimento econômico da Venezuela nos três primeiros meses deste ano recuou para a taxa trimestral mais baixa desde 2021, um contraste gritante com a narrativa de crescimento recorde que Trump tem propagado repetidamente em discursos públicos.

“Tivemos uma grande vitória na Venezuela”, disse Trump em um discurso no sábado. “A Venezuela tornou-se um país feliz, porque eles nunca ganharam tanto dinheiro quanto estão ganhando agora.”

Rodríguez enfrenta agora a tarefa monumental de liderar um esforço de resgate e reconstrução por parte de um Estado empobrecido, esvaziado e autocrático — um Estado que ela mesma ajudou a criar como braço direito de Maduro.

Mesmo antes do terremoto, Rodríguez já enfrentava pressões crescentes para transformar o sistema político do país e permitir a realização de novas eleições. É provável que essas exigências se intensifiquem agora, em um país tomado pelo luto e pelo anseio por mudança.

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