Tiroteio marca posse de Letta como primeiro-ministro da Itália
Internacional|Do R7
Roma, 28 abr (EFE).- O novo primeiro-ministro da Itália, Enrico Letta, de 46 anos e membro do Partido Democrata (PD), tomou posse neste domingo para liderar um governo de coalizão, em cerimônia que acabou marcada pela ação de um atirador que deixou três pessoas feridas em frente à sede do Executivo. A cerimônia de juramento dos cargos de Letta e sua equipe ministerial - formada por homens e mulheres de perfil técnico, além de políticos do PD, do PdL de Silvio Berlusconi e do Escolha Cívica, de Mario Monti - começou de manhã no palácio do Quirinale, sede da chefia do Estado. O governo de coalizão é agora a esperança dos italianos para pôr fim a dois meses incerteza política no país, decorrente do complicado cenário surgido após as eleições de fevereiro. No entanto, durante a cerimônia, houve momentos de grande tensão por causa da ação de um homem que disparou diante da sede do governo - situada a pouco mais de 500 metros do Quirinale -, ferindo dois carabineiros (policiais militares) e uma mulher grávida. Segundo as primeiras informações, trata-se de um ato isolado cometido por um homem de 46 anos procedente do sul da Itália, que recentemente perdeu o emprego e tinha se separado de sua esposa. Alguns analistas políticos, porém, atribuíram o fato ao clima de instabilidade vivido pelo país. Neste sentido, o líder do Movimento 5 Estrelas (M5S), Beppe Grillo, partido apontado por críticos como instigador desse clima de tensão, declarou que seu grupo não é violento e expressou solidariedade às forças de ordem. Apesar do tiroteio, a cerimônia de posse seguiu seu curso, e a maioria dos ministros foi informada dos fatos apenas quando já tinham jurado o cargo. Após quase dois meses de infrutíferas negociações, Letta anunciou no sábado que tinha conseguido cumprir a incumbência do presidente do país, Giorgio Napolitano, de formar o novo governo, salvando assim o primeiro empecilho na tentativa de tirar ao país do estado de paralisia política que no qual se encontra. Agora resta que Letta vá ao Parlamento para pedir a confiança de ambas as câmaras a seu governo, passo que deve ser dado amanhã. Espera-se que o novo governo consiga esse aval, sobretudo por parecer que a equipe ministerial proposta conseguiu amenizar um pouco as divisões dentro do PD - evidenciadas na eleição do chefe do Estado - e que fazem temer votos contra ou abstenções no Parlamento. Os deputados do PD devem se reunir antes da votação em um ambiente no qual aumentam os apelos em prol da unidade dentro da legenda e no qual inclusive alguns dos denominados "rebeldes" dão sinais de apoio ao Executivo. O governo recém formado conta, igualmente, com o compromisso propício do partido do ex-primeiro-ministro Monti, e aparentemente também com o do conservador PdL, embora não possam ser descartadas surpresas de última hora. Em seu discurso no Parlamento, Letta deverá tentar convencer, além disso, legendas que já lhe negaram apoio, como o M5S de Grillo, o partido Esquerda, Ecologia e Liberdade e o Irmãos da Itália, grupo egresso do PdL, o que não parece fácil. A federalista Liga Norte expressou, por sua vez, sua "perplexidade" por alguns dos nomes do gabinete e advertiu que decidirá em função do discurso de Letta no Parlamento. Este partido espera que o novo primeiro-ministro inclua alguns dos pontos que considera primordiais, como a criação de uma macrorregião com as áreas mais ricas do norte do país. À espera do que vai acontecer no Parlamento, analistas, políticos e a imprensa expressavam hoje suas impressões sobre o novo Executivo, que não ficou isento de críticas. A maioria coincide em destacar, no entanto, a renovação geracional que ele traz, com uma média de idade de 53 anos e uma presença recorde de mulheres: sete ministras. Entre as críticas recebidas, se destacam as expressadas por alguns dos militantes da base do PD, que consideram que foi liquidada a tradição pós-comunista da legenda, com a exclusão de nomes como o de Massimo D'Alemma, e que se trata de um Executivo com um grande maioria de componentes de tendência democrata-cristã. EFE ebp/id












