Torturado na Líbia, adolescente somali morre após ser resgatado
Internacional|Do R7
Roma, 25 ago (EFE).- Um adolescente somali de 15 anos morreu no navio da ONG Médicos sem Fronteiras após ser resgatado em frente à costa da Itália, em consequência das torturas que sofreu pelos traficantes de pessoas na Líbia, informou a organização "Save the children" nesta terça-feira. Ele morreu na segunda-feira, depois de o navio "Dignity", que colabora com as operações de resgate no Canal da Sicília recolher um grupo de imigrantes para conduzi-los ao porto siciliano de Augusta, onde atracaram hoje. A porta-voz da "Save the children", Giovanna Di Benedetto, denunciou que alguns dos 300 imigrantes que viajavam com ele contaram que o menino morreu de uma parada cardiorrespiratória devido às condições de saúde em que estava por causa dos maus-tratos que sofreu na Líbia, onde foi obrigado a trabalhar sem receber nem comida nem água. A Médicos Sem Fronteiras explicou em uma nota que o adolescente viajava sozinho e que quando foi resgatado "estava em condições críticas, com dificuldades de movimento, e que para a equipe médica sofria de alguma doença crônica". As pessoas que viajavam com ele, segundo a ONG, "explicaram que foi várias vezes brutalmente espancado na Líbia há três semanas e que desde então sua saúde piorou, e que foi obrigado a realizar duros trabalhos físicos sem ter nenhum cuidado médico". Ao chegar à embarcação da ONG ele recebeu cuidados e remédios, e parecia que tinha melhorado, mas "tragicamente e inesperadamente morreu de uma parada cardíaca antes da chegada do 'Dignity I' à Itália". "Infelizmente, o caso deste menino somali não é o único, pois nestes meses escutamos os testemunhos de muitos menores que nos relataram as condições atrozes em que são obrigados a viver nos lugares de detenção ou de concentração, onde os traficantes os obrigam a esperar na Líbia", denunciou Benedetto. Nos últimos dias foram resgatados no Canal da Sicília, a faixa do Mediterrâneo que separa a Itália do norte da África, cerca de cinco mil imigrantes, entre eles centenas de menores não acompanhados. EFE ccg/cd












