Logo R7.com
RecordPlus

Transmissão de funeral de Mandela leva pouca gente a estádios sul-africanos

Internacional|Do R7

  • Google News

Johanesburgo, 15 dez (EFE).- A transmissão do funeral de Nelson Mandela em Qunu em vários estádios da cidade de Johanesburgo não atraiu tantas pessoas como se esperava na África do Sul. No estádio de Orlando, perto do antigo gueto negro de Soweto onde se pode visitar a casa de Mandela, poucas dezenas de pessoas esperavam às portas do campo de futebol. "Abram as portas, não é justo!", gritava um grupo enfurecido porque não podiam entrar, minutos antes do início do funeral, que começou com atraso. Após a abertura dos portões, e durante a meia hora seguinte, apenas 50 pessoas ocuparam os assentos do estádio. Em um flanco do estádio vazio, os poucos presentes se puseram de pé ao soar o hino nacional nos alto-falantes após a chegada do caixão ao local da cerimônia, mas o interesse diminuiu com o início dos discursos. A distribuição de camisetas com o rosto do herói nacional e de bandeiras sul-africanas arrastou o público para fora das arquibancadas. Os vendedores de comida e de souvenires de Mandela nos arredores do estádio de Orlando foram os maiores beneficiados em um dia no qual a maior parte dos shoppings estava fechada. "Hoje foi muito melhor que esta semana. Parece que meu investimento de hoje valerá a pena", disse Dudu Mthombeni, uma vendedora de comida, citada pela agência de notícias sul-africana "Sapa". Mais de uma hora depois começaram a chegar ônibus organizados pelo partido governamental Congresso Nacional Africano (CNA) ou pelas autoridades locais de outros estádios que não retransmitiram o funeral, e que foram mudando a cor das arquibancadas. "Vim apresentar meus respeitos ao pai da minha nação", disse à Agência Efe Mbali Mokoneh, uma sul-africana que levou seus sobrinhos para ver o funeral ao vivo. Mokoneh esteve ontem na cidade de Mthatha, onde chegaram em avião os restos mortais do ex-presidente procedentes de Pretória, porque seu pai, que conheceu Mandela, queria despedir-se dele. "Sinto que me roubaram", criticava Vicent Mtebele, um jovem procedente do Cabo Oriental, a província onde fica Qunu, porque gostaria de ter tido a chance de comparecer ao funeral de Mandela. "Teria ido até Qunu se tivessem deixado, mas não foi um funeral para os sul-africanos", lamentou. Mandela, acrescentou o jovem, "era um homem do povo, amava seu povo" e, por esse motivo, teria gostado que os sul-africanos tivessem ido se despedir pessoalmente. O funeral aconteceu em uma grande tenda instalada no sítio de Mandela perante cerca de cinco mil pessoas, entre elas a família do ex-presidente e líderes de diferentes países. Em outro dos estádios de Johanesburgo, Dobsonville, a transmissão foi cancelada, sem que o governo local oferecesse uma explicação, o que irritou algumas pessoas. "Estou muito zangada porque paguei o transporte para vir aqui para nada", lamentou Mapule Moroane, que depois entrou em um ônibus para ir ao estádio de Orlando. EFE dgp/rsd

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.