Logo R7.com
RecordPlus

Tribunal egípcio rejeita recurso e confirma proibição da Irmandade Muçulmana

Sentença também decreta congelamento dos fundos da formação

Internacional|Do R7

  • Google News
Nesta semana teve início o julgamento de Mursi pela morte de manifestantes em frente ao palácio presidencial em 2012
Nesta semana teve início o julgamento de Mursi pela morte de manifestantes em frente ao palácio presidencial em 2012

Um tribunal de apelações do Egito rejeitou nesta quarta-feira (6) o recurso apresentado pela Irmandade Muçulmana contra a sentença que decretou a proibição de todas as atividades do grupo e ordenou congelamento de seus bens, informaram fontes judiciais à Agência Efe.

A decisão confirmada foi emitida pelo Tribunal de Assuntos Urgentes do Cairo no último dia 23 de setembro e representa "a proibição das atividades da Irmandade Muçulmana no Egito, sua ONG e qualquer grupo que esteja financiado ou receba seu apoio ou subvenção".


Na sentença sobre o recurso de apelação, a corte ordenou que a Irmandade Muçulmana "detenha imediatamente todas suas atividades e as das associações vinculadas", assim como as de qualquer outro grupo "presidido ou dependente de algum membro de sua confraria".

A sentença anunciada nesta quarta-feira também decreta o congelamento dos fundos da formação até que o Conselho de Ministros crie uma comissão independente para tramitá-los, algo para que, segundo a agência oficial Mena, o Ministério da Justiça já teria designado um administrador.


No último dia 9 de outubro, antes de uma definição sobre esse recurso, o governo egípcio já havia ordenado a dissolução da associação da Irmandade Muçulmana, registrada como ONG. Após o anúncio do tribunal citado, a Irmandade Muçulmana declarou que recorrerá dessa decisão no próximo 1º de dezembro, mas também anunciou que não acatará essa sentença "politicamente".

Presidente deposto traçou caminho sem volta, avalia ativista político egípcio


Segundo um porta-voz da Irmandade Muçulmana, Islã Taufiq, o grupo apresentará um recurso netsa data perante outro tribunal, já que, segundo ele, a Corte de Assuntos Urgentes "não tem direito de resolver este caso e nem de ordenar o fim de todas as atividades" da formação.

"As pessoas na organização recebeu essa notícia com deboche e sarcasmo", declarou Taufiq, que acrescentou que os islamitas continuarão nas ruas protestando perante o "golpe de Estado" perpetrado pelo Exército no último dia 3 de julho. "Não pensamos em cumprir essa sentença no campo político."


— Levamos 85 anos nas ruas e assim seguiremos. Todos os presidentes proibiram a Irmandade Muçulmana, detiveram muitos e encarceraram outros. Mas, todos esses presidentes já morreram ou encerraram seus mandatos, e os "Irmãos" continuam nas ruas.

Fundada em 1928 por Hassan al Banna, a confraria se tornou ilegal em 1954, após uma decisão de Gamal Abdel Nasser, uma situação que foi mantida durante os regimes posteriores. Após a queda do regime de Hosni Mubarak, em 2011, a Irmandade formou o Partido Liberdade e Justiça, com o qual arrasou no pleito parlamentares de dezembro deste mesmo ano.

No último mês de março, quando Mohammed Mursi — um de seus dirigentes — ocupava a chefia de Estado, a formação se constituiu de forma oficial como ONG. No entanto, após o golpe militar contra Mursi em julho passado, as autoridades egípcias empreenderam uma campanha de repressão contra a Irmandade e seus dirigentes, culminada por sua dissolução como grupo.

Na segunda-feira (4) foi iniciado o julgamento de Mursi e de outros 14 colaboradores pela morte de manifestantes em frente ao palácio presidencial de Itihadiya em dezembro de 2012.

O que acontece no mundo passa por aqui

Moda, esportes, política, TV: as notícias mais quentes do dia

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.