Logo R7.com
RecordPlus

UE espera novo ímpeto da Alemanha, mas esta não deverá mudar curso

Internacional|Do R7

  • Google News

Céline Aemisegger. Bruxelas, 19 set (EFE).- A União Europeia (UE) observa com certa impotência e frustração a Alemanha frear decisões-chave para uma maior integração europeia, e espera poucas mudanças após as eleições alemãs do próximo dia 22. "Se alguém espera grandes passos rumo à integração europeia após as eleições alemãs, vai ver que isso não ocorrerá", independente da coalizão que se formar na Alemanha, disse à Agência Efe Nina Schick, especialista do centro de estudos Open Europe. Nos corredores das instituições comunitárias, a opinião é compartilhada. "Seja qual for o resultado das eleições, a política e o enfoque europeu da Alemanha não estarão marcados por uma mudança radical, e inclusive se houver algumas remodelações, seriam mais uma questão de matiz", afirmaram fontes da UE. O maior perigo está em uma possível "desilusão pós-eleitoral", escreveu Ulrike Guerot em uma análise do Conselho Europeu sobre Relações Exteriores (ECFR). "Muitos líderes políticos em outros estados-membros da UE querem que a Alemanha, a maior e mais poderosa economia na União, aceite responsabilidades de liderança política compatíveis com seu peso econômico", pondera Guerot. "Querem que Berlim ponha o dinheiro onde faz falta e querem que assuma com palavras e ações a necessidade de uma maior integração europeia e que, ganhe quem ganhar, proponha uma perspectiva de longo prazo para o futuro da Europa", acrescenta. O pragmatismo e o "passo a passo" que a chanceler alemã Angela Merkel adota na política europeia são criticados pelos que esperam avanços mais rápidos nessa integração. A Alemanha é "muito fundamentalista, muito pró-europeia, disseram fontes da UE, que ainda ressaltaram que às vezes alguns dos outros sócios apresentam a Berlim um "surpreendente catálogo de exigências" sem levar em conta que o país tem suas próprias "linhas vermelhas" definidas pelos eleitores e por uma Constituição que a impede de seguir à frente. "Há uma brecha entre as expectativas europeias de uma Alemanha mais enérgica e construtiva e a capacidade germânica para cumpri-las", indicou Guerot. Uma recente pesquisa divulgada pelo Open Europe reflete o respaldo dos eleitores alemães ao lema "mais Europa", mas com muitos condicionantes que limitam a atuação de Berlim. O apoio ao euro continua sendo majoritário entre os eleitores, mas ao mesmo tempo muitos consideram que a eurozona deveria se reduzir a um seleto grupo de membros e quase metade opina que a moeda única não deve ser salva a todo custo. Uma maioria muito clara considera que o próximo governo alemão não tem mandato para dar mais ajuda financeira, direta ou indireta a outros países, nem para aceitar um firewall comum para os bancos - como seria um fundo único de resolução, os eurobônus - e transferências fiscais para perdoar parte da dívida de países do sul. E uma união política só seria respaldada pelos alemães se vier ligada a um maior controle orçamentário sobre os demais. A isto se soma "o enorme respeito dos alemães ao estado de direito", comenta Schick, como refletem os casos das iniciativas comunitárias que acabaram no Tribunal Constitucional (TC) de Karlsruhe, e o profundo convencimento de que o projeto estrela da UE, a união bancária, não é possível sem uma união política. Cada passo deve ser legalmente sólido e politicamente legitimado, por isso que para Berlim uma transferência de poderes a Bruxelas só é possível se o Tratado da EU for alterado, diz Guerot. O que faz a Alemanha avançar com uma "cautela que seguirá empregando" e inclusive "descafeinando propostas" comunitárias, apesar de muitas vezes quererem ir com mais rapidez. Talvez por isso, a Europa só apareceu no debate eleitoral alemão na etapa final da campanha com declarações do ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble, sobre um terceiro resgate para a Grécia e outras de Merkel, dizendo que não podia confiar no Partido Social-Democrata (SPD) na crise do euro. "As diferentes posições se verão mais claramente depois das eleições", mas a Alemanha prosseguirá o curso atual, disse à Agência Efe Guntram Wolff, diretor do centro de estudos Bruegel. Enquanto Merkel seguirá com sua defesa da austeridade e resistência a qualquer mutualização da dívida, o candidato social-democrata, Peer Steinbrück, defende que não sejam desprezados de antemão instrumentos como os eurobônus ou um fundo de amortização de dívida e defende uma consolidação que não estrangule os membros do sul. "Com Steinbrück haveria mais apoio aos países do sul, enquanto Merkel não está suficientemente disposta a abrir o porta-moedas" para fazer diferença com medidas de estímulo ao crescimento, considerou Wolff. "Se Steinbrück ganhar, haverá um pouco menos de austeridade", concorda Schick, "mas em nenhum caso uma mudança de curso fundamental", opinou o especialista, que considera que Berlim "simplesmente carece da ambição política para liderar claramente em tempos de complicações". "Mas o país espera influir nos eventos dando exemplo, conseguindo que outros levem o espírito poupador e a competitividade da Alemanha em suas próprias culturas financeiras, econômicas e políticas", opinou Guerot. EFE cai/cd/id

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.