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UE perde acordo com Ucrânia, mas pode ter se livrado de um problema

Internacional|Do R7

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Por Luke Baker

BRUXELAS, 22 Nov (Reuters) - Na Europa pós-soviética, a Rússia parece ter conquistado uma vitória decisiva ao convencer a Ucrânia a rejeitar um acordo comercial com a União Europeia e em vez disso aprofundar os laços com Moscou.


Mas também tem razão para respirar aliviada.

Quando o sentimento de rejeição e a mágoa pela ambição perdida passarem, a realidade continuará sendo a de que colocar a Ucrânia sob a asa - um país altamente endividado, de 46 milhões de habitantes, assolado pela corrupção e pela imprevisibilidade política - poderia ser um ônus custoso e difícil para a UE, ao menos em curto prazo.


E, em longo prazo, continua sendo possível que a Ucrânia volte seu olhar de volta para o Ocidente e busque reabrir negociações acerca de uma associação comercial e política mais profunda com a UE, embora isso dificilmente vá acontecer antes da eleição presidencial ucraniana de 2015.

Ao explicar sua decisão de rejeitar o acordo, que seria assinado na próxima sexta-feira durante uma cúpula na Lituânia, o primeiro-ministro ucraniano atribuiu a decisão ao pragmatismo econômico, e buscou manter viva a ideia de que relações estratégicas com a UE no futuro.


"A decisão que o governo tomou se baseia em razões econômicas", disse Mykola Azarov na sexta-feira ao Parlamento, um dia depois de ele causar surpresa ao anunciar a rejeição do acordo. "Isso é de caráter tático e não altera nossos objetivos estratégicos."

Ao mesmo tempo, a chefe de política externa da UE, Catherine Ashton, teve o cuidado de manter a mão da cooperação estendida para a Ucrânia, caso Kiev mude de ideia no futuro.


"Acreditamos que o futuro para a Ucrânia radique em uma forte relação com a UE", disse ela em nota na quinta-feira, admitindo a rejeição ucraniana e alertando sobre o impacto que ela deverá ter sobre futuros investimentos estrangeiros na antiga república soviética.

"Permanecemos firmes no nosso compromisso com o povo da Ucrânia, que teria sido o principal beneficiário do nosso acordo."

Uma porta-voz da Comissão Europa, Maja Kocijancic, disse: "A Ucrânia não era um prêmio a ser conquistado. Era uma relação que começamos a construir há muito tempo."

Desde o lançamento do programa Parceria Oriental, em 2009, um plano para forjar laços mais estreitos com as ex-repúblicas soviéticas, a UE gastou muito tempo, dinheiro e esforço diplomático para tentar atrair esses países.

Dos seis envolvidos, a Ucrânia --com seus vastos recursos minerais, grande território fronteiriço com a UE e um PIB anual superior a 300 bilhões de dólares-- sempre foi visto como o maior prêmio.

Mas, sendo próxima da Rússia --que vê a Ucrânia como uma extensão cultural de si mesma--, esse era também um preço arriscado.

Por esse motivo, por mais que a UE tenha alardeado as vantagens econômicas, comerciais, sociais e políticas de um acordo de associação, o interesse era mesmo geopolítico.

"A UE sempre se viu como alguém que não era afeito a jogos geopolíticos", disse Ulrich Speck, acadêmico visitante da entidade Carnegie Europe. "Mas a ironia é que a nova assertividade do (presidente russo, Vladimir) Putin forçou a UE a jogar o jogo do poder político, então isso se tornou em grande parte um jogo geopolítico."

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