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Uruguaios saem às ruas para pedir fim da impunidade pelos crimes da ditadura

Internacional|Do R7

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Álvaro Mellizo. Montevidéu, 25 fev (EFE).- Milhares de uruguaios protestaram nesta segunda-feira contra a "indignidade" da Justiça e exigiram novamente o fim da impunidade pelos crimes da ditadura, depois que a Suprema Corte de Justiça (SCJ) declarou inconstitucional uma norma que evitava a prescrição dos delitos daquela época. Os manifestantes, convocados pelo partido governista Frente Ampla, pela PIT-CNT, maior central operária do país, e várias organizações de defesa dos direitos humanos, se concentraram na Praça Cagancha, junto à sede da SCJ, e ali permaneceram por quase uma hora para mostrar seu repúdio às recentes decisões do tribunal. Sem megafones, alto-falantes, discursos e sem cantar palavras de ordem de nenhum tipo, os concentrados se limitaram a dialogar entre si e trocar opiniões sobre a melhor forma de reverter os passos dados pela mais alta instância judicial do país. Apenas no final do ato, a multidão explodiu em aplausos e entoou o hino uruguaio antes de dispersar-se. Entre os presentes, de toda idade e condição, houve dirigentes políticos e sociais como a senadora Lucía Topolansky, esposa do presidente José Mujica, e o escritor Eduardo Galeano. "Eu aprendi há muitos anos que a vida consiste em escolher entre indignos e indignados, e eu estou sempre com os indignados. Me parece que foi indigna esta Suprema Corte, que pratica a injustiça, e que, além de praticá-la, proíbe a memória e castiga a dignidade", disse Galeano à Agência Efe. Na sexta-feira passada, a SCJ declarou inconstitucional uma norma criada para evitar a prescrição dos crimes cometidos pela ditadura (1973-1985), o que habilita a possibilidade de arquivar essas causas e permitir assim a impunidade desses delitos. Essa decisão foi a última de uma série de medidas do tribunal contrárias à orientação política do Governo, como a supressão de um imposto que taxava as grandes extensões agrárias para combater o acúmulo de terras ou a mudança a uma corte civil da juíza Mariana Mota, destacada em sua perseguição dos crimes da ditadura. Segundo explicou à Efe Oscar Urtasun, da associação de Mães e Parentes de Detidos Desaparecidos, o protesto foi uma demonstração da "bronca pelo rumo da Justiça uruguaia". "É preciso vir pressionar. Bateremos portas no exterior se for preciso. O Supremo não pode ser tão supremo, essa é uma atitude teológica que já não cabe", comentou o ativista. Gerardo Rey, secretário político da FA, apontou por sua parte que a mobilização procura "manter a exigência permanente" contra a impunidade e ao mesmo tempo abrir canais para encontrar "caminhos institucionais jurídicos para que se faça justiça". "Estamos analisando os passos técnicos e faremos um plano político. Temos a vontade permanente de conseguir justiça e isso deve nos encorajar", acrescentou. No lado oposto, a oposição em bloco, inclusive os ex-presidentes Julio María Sanguinetti (1985-1990 e 1995-2000), Luis Alberto Lacalle (1990-1995) e Jorge Batlle (2000-2005), rejeitou a mobilização e a considerou uma mostra de "atitude antidemocrática" que pode arrastar o país "a tempos de confronto que não devem repetir-se". Rosana Gavazzo, advogada dos militares uruguaios que ganharam o recurso de inconstitucionalidade e filha de um repressor condenado a 25 anos de prisão por sua participação no Plano Condor, também considerou "muito grave" esta mobilização e acusou o FA de "não respeitar a separação de poderes". EFE amr/rsd (foto) (vídeo)

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