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Venezuelanos protestam pela 4ª vez na semana em Caracas, um dia após líder opositor se tornar inelegível

O governador de Miranda, Henrique Capriles, perdeu seus direitos políticos por 15 anos

Internacional|Do R7

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Milhares marcharam pelas ruas do centro da capital. Policiais e manifestantes entraram em confronto
Milhares marcharam pelas ruas do centro da capital. Policiais e manifestantes entraram em confronto

Manifestantes opositores marcharam por Caracas e outras cidades da Venezuela neste sábado (8), um dia após o principal líder da oposição e favorito para assumir a Presidência em 2018, Henrique Capriles Radonski, anunciar a perda de seus direitos políticos por 15 anos.

Os protestos desta semana contra o governo do presidente Nicolás Maduro são os maiores no país desde 2014, quando uma série de protestos iniciados em fevereiro daquele ano se estendeu por 4 meses, deixando 43 mortos e centenas de feridos e detidos.


Neste sábado, milhares de pessoas, algumas carregando cartazes escritos “Não à ditadura!” e “Capriles para presidente” participaram das manifestações contra o impopular presidente Maduro.

Os protestos deste sábado estendem uma semana de inquietações após a decisão do Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela na semana passada de assumir o papel do Congresso, que é comandado pela oposição. A ação foi rapidamente revertida, mas a repercussão global gerada pelo ato reanimou a oposição.


Autoridades empregaram hoje medidas de segurança usadas em protestos recentes, como o fechamento de 17 estações de metrô em Caracas e criação de pontos de verificação em rodovias que levam à capital.

Forças de segurança usaram gás lacrimogêneo em uma importante avenida em Caracas, enquanto a polícia em San Cristobal atirou balas de borracha contra manifestantes, ferindo duas pessoas, de acordo com uma testemunha da Reuters.


“O governo está com medo. Se não estivesse com medo, não iria fechar as ruas... Não iria inabilitar Capriles”, disse a advogada de 27 anos Gikeissy Diaz, acrescentando que metade de sua turma da graduação deixou o país e que ela pensa em fazer o mesmo.

O protesto foi marcado por confrontos entre policiais e manifestantes. Veja:


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"Caminho da ditadura"

Capriles, duas vezes candidato à Presidência e atual governador do Estado de Miranda, é visto por muitos como a melhor chance da oposição na eleição presidencial marcada para 2018. Mas na sexta-feira ele foi banido de disputar cargos eletivos por 15 anos.

A condenação da Controladoria-Geral da União citou “irregularidades administrativas”, incluindo quebra de leis contratuais e administração imprópria de doações, de acordo com uma cópia do banimento. Ele é acusado de receber propina da Odebrecht para liberar à empreiteira obras no Estado de Miranda.

“O país escolheu o caminho da ditadura”, disse Capriles para uma multidão de apoiadores em Caracas, pedindo para que marchassem até o escritório do ouvidor do Estado de direitos humanos, cuja oposição diz ser um marionete do governo.

A Venezuela tem sido atingida por uma crise econômica brutal, que faz com que milhões deixem de se alimentar, não consigam comprar bens básicos e enfrentem longas filas por produtos escassos.

Críticos do governo dizem que o banimento de Capriles é arbitrário e permite que o PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela) afaste políticos populares sem o processo devido.

Após um referendo revogatório contra Maduro ser anulado no ano passado e em meio a temores de que a eleição presidencial do próximo ano não seja justa, apoiadores da oposição dizem não ter opções além de tomar as ruas. Mas, após anos de manifestações, muitos se mostram céticos.

Ainda assim, muitos outros foram motivados pela crescente crise política.

“Havia dois anos que eu não estava nas ruas”, disse Richard Morton, engenheiro elétrico de 43 anos que disse que a escassez fez com que tivesse que importar equipamentos necessários para seu trabalho, à medida que se preparava para participar do protesto sob o sol de Caracas.

“Estou na rua hoje porque vejo as pessoas agindo em solidariedade e os parlamentares estão nos apoiando mais. Além disso, a situação econômica está intolerável. Ninguém pode viver aqui”.

A Venezuela, rica em petróleo, segue para o que se acredita ser um quarto ano seguido de recessão, com inflação crescente e salários estacionados em um punhado de dólares na taxa do mercado negro.

O vice-presidente da Venezuela, Tareck El Aissami, afirmou que os protestos deste sábado são ilegais uma vez que as autoridades desconhecem as rotas que serão usadas pelos manifestantes.

Os adversários da oposição alertaram que a intenção das manifestações é gerar violência e "um banho de sangue".

Na quinta-feira, um jovem de 19 anos foi morto a tiros durante protestos. Um policial foi preso.

O grupo de direitos humanos Penal Forum afirma que quase 100 pessoas foram presas durante os protestos no país nos últimos dias. A oposição afirma que mais de 100 ativistas políticos foram presos em uma campanha do governo contra os dissidentes.

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