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Acidentes de trânsito custaram R$ 1,5 bilhão em 10 anos em Minas

Custo de internação em UTI pode chegar a R$ 3 mil e a hora cirúrgica, a R$ 2 mil; número de acidentes vem crescendo com aumento dos serviços de apps

Minas Gerais|Lucas Pavanelli, do R7

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Perfil dos acidentes é formado por homens, entre 15 e 19 anos e motociclista
Perfil dos acidentes é formado por homens, entre 15 e 19 anos e motociclista

O Governo de Minas Gerais gastou R$ 1,5 bilhão somente para custear internações na rede de saúde pública de pessoas que sofreram acidentes de trânsito nos últimos dez anos. Os dados foram apresentados pela SES (Secretaria de Estado de Saúde) em audiência na Assembleia Legislativa de Minas Gerais nesta terça-feira (24). 

Para se ter uma ideia do prejuízo causado aos cofres públicos com acidentes que poderiam ter sido evitados, uma diária de paciente que precisou ser internado na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) do Hospital João 23 pode custar até R$ 3 mil por dia, segundo o diretor Assistencial da Rede Fhemig (Fundação Hospitalar de Minas Gerais), Marcelo Lopes. 


Durante a audiência, Lopes citou o caso de um paciente internado por mais de dois anos, que já passou por mais de 20 cirurgias, e cujo custo já superou R$ 1,2 milhão. 

“Muitas vítimas do trânsito carregam sequelas para o resto da vida, estão condenadas à prisão perpétua. Em alguns casos, são pessoas que foram atropeladas, enquanto quem atropelou paga uma multa pequena e segue a vida”, afirma o médico.


Custos

As autoridades também divulgaram custos que os serviços médicos podem chegar em casos de internações e cirugias causadas por acidentes de trânsito: 


Diária no Pronto Socorro: R$ 1.200

Hora cirúrgica: R$ 1.500 a R$ 2.000


Diária na internação: R$ 800 a R$ 1.100

Diária na UTI: R$ 2.500 a R$ 3.000

Além do prejuízo financeiro, os acidentes de trânsito causam um prejuízo humano sem precedentes. De acordo com a SES, o número de mortos em acidentes é 12 vezes maior que os causados pela dengue. Para se ter uma ideia, somente neste ano, a doença causada pelo mosquito Aedes Aegypti vitimou 132 pessoas. O perfil das vítimas é formado, em sua maioria, para homens jovens, na faixa entre 15 e 19 anos, condutores de motos, seguidos por pedestres.

Motos, carros de aplicativos e patinetes elétricas

Segundo o médico Marcelo Lopes, o aumento no número de carros de aplicativos, patinetes elétricas e motociclistas entregadores nas ruas também refletiu em uma maior incidência dos acidentes.

De acordo com ele, em 2017, houve queda de 5% no número de atendimentos a vítimas de acidentes de trânsito. No entanto, no ano seguinte, o número voltou a crescer, o que, para ele, tem a ver com aumento do número de motoristas de aplicativos e a falta de regulamentação no setor. 

Ao contrário dos taxistas, esses condutores não se submetem a nenhuma regulamentação; não existe para eles nenhuma exigência”, critica.

O que também contribui para um crescimento nos acidentes de trânsito, sobretudo com motocicletas, é o volume de entregas que os motociclistas que trabalham para aplicativos são condicionados a fazer. Segundo o médico Marcelo Leite, a maior incidência de acidentes com motos ocorre entre seis e oito da noite, quando aumenta o número de pedidos de entrega de alimentos em domicílio.

Leite também acredita que acidentes com patinetes elétricos devem se tornar mais frequentes. Recentemente, um homem morreu após cair de um aparelho e bater com a cabeça. 

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