Justiça mantém preso sargento da PM investigado pela morte da capitã Michele Leão Azevedo
A decisão foi tomada durante audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (22), em BH
Minas Gerais|Arnon Gonçalves, da RECORD Minas e Cler Santos, do R7

A Justiça converteu em prisão preventiva a prisão em flagrante do sargento da Polícia Militar Eduardo Abner Pereira de Oliveira, investigado pela morte da capitã Michele Leão Azevedo, de 41 anos. A decisão foi tomada durante audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (22), em Belo Horizonte.
Na decisão, o juiz Antônio Francisco Gonçalves, da Central de Audiência de Custódia da capital, entendeu que “a segregação cautelar era necessária para a garantia da ordem pública” e determinou que o militar permaneça preso enquanto as investigações prosseguem.
O caso tramita sob segredo de Justiça. Na terça-feira (21), a Justiça decretou sigilo sobre o Auto de Prisão em Flagrante Delito (APFD), restringindo o acesso público às informações do processo com o objetivo de resguardar direitos fundamentais, como a intimidade e a vida privada dos envolvidos.
Em nota, a defesa de Eduardo Abner informou que recebeu a decisão “com respeito”, mas afirmou discordar dos fundamentos que embasaram a conversão da prisão em flagrante em preventiva.
Segundo o advogado Gustavo Nepomuceno Lopes, não haveria elementos que justificassem a manutenção da medida cautelar.
“A defesa técnica de Eduardo Abner recebeu com respeito a decisão que converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva. Todavia, discorda dos fundamentos adotados, especialmente no que se refere à necessidade da medida extrema para garantia da ordem pública”, diz trecho da nota.
A defesa também argumentou que a ampla repercussão do caso exige cautela para que as decisões judiciais sejam tomadas exclusivamente com base nas provas reunidas durante a investigação.
“Trata-se de um caso de grande repercussão midiática, circunstância que, por si só, exige ainda mais cautela para que as decisões judiciais sejam pautadas exclusivamente pelos elementos constantes dos autos, preservando-se a imparcialidade do processo e a presunção de inocência.”
Ainda de acordo com a defesa, serão adotadas “todas as medidas judiciais cabíveis” para tentar reverter a decisão nas instâncias superiores.
“A defesa informa que adotará, de imediato, todas as medidas judiciais cabíveis perante as instâncias competentes para buscar a revisão da decisão, por entender que a legalidade e os direitos fundamentais do investigado devem ser rigorosamente observados.”
Por fim, o advogado afirmou que não comentará o mérito da investigação neste momento.
“Reitera sua confiança no Poder Judiciário e reafirma que não fará qualquer manifestação sobre o mérito da investigação neste momento, em respeito ao devido processo legal e ao regular andamento da persecução penal.”
Relembre o caso
A capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo, de 41 anos, morreu na noite de segunda-feira (20), após dar entrada no Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte, com múltiplas lesões e já sem sinais vitais. Ela foi levada à unidade pelo marido, o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, que afirmou aos médicos que a esposa havia caído da escada do apartamento onde o casal morava, no bairro Palmares, na região Nordeste da capital.
A versão passou a ser questionada depois que a equipe médica identificou diversos hematomas e ferimentos considerados incompatíveis, em um primeiro momento, com uma queda acidental. A Polícia Militar foi acionada e iniciou as diligências ainda durante a noite.
Imagens das câmeras de segurança do prédio mostram o momento em que o sargento deixa o apartamento carregando Michele até a garagem antes de seguir para o hospital. Durante os levantamentos no imóvel, militares encontraram vestígios de sangue em diferentes cômodos, um bastão de madeira quebrado e roupas que teriam sido lavadas após o ocorrido.
Em entrevista coletiva, a Polícia Militar informou que os levantamentos iniciais apontam indícios de um relacionamento abusivo entre o casal e revelaram a existência de registros anteriores de agressões envolvendo os dois. Eduardo foi preso em flagrante e, nesta quarta-feira, teve a prisão convertida em preventiva durante audiência de custódia.
A defesa nega que Michele tenha sido vítima de agressões e sustenta que os ferimentos decorreram de uma queda da escada e de práticas sexuais consensuais do casal. A Polícia Civil segue investigando o caso.
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